13 de junho de 2014

Cinco pães e dois peixes, Francisco Van Thuan (2x)

Após ter recomendado o pequeno livro "Cinco pães e dois peixes - Do sofrimento do cárcere, um alegre testemunho de fé" escrito por Francisco Xavier de Nguyen Van Thuan (Paulinas Editora, 2009), no testemunho final da peregrinação a Fátima-a-pé, na Semana Santa, organizada pela Paróquia de São Brás, só me restava... relê-lo (entrada em 27/07/2012).
A mesma alegria, tal como na Eucaristia, celebração presente sempre nova e actual. Neste sentido, desta vez transcrevo (não podendo viver o mesmo, comungo da alegria no meio do cárcere):
"Passei nove anos no isolamento. Durante esse período, celebro a Missa todos os dias, pelas três horas da tarde: a hora de Jesus agonizante na cruz. Estou só, posso cantar a minha Missa como quero, em latim, francês, vietnamita... levo comigo o saquinho que contém o Santíssimo Sacramento: «Tu em mim e eu em ti.»
São as mais belas missas da minha vida." 

De igual para igual (JTM)

Atrás, salvo seja, d'"O hipopótamo de Deus" de José Tolentino Mendonça, uma oportunidade para finalmente ler o livro "De igual para igual" do poeta (Assírio & Alvim, Março de 2001), e não se pode considerar como válida a questão de "falta" de tempo! (o empurrão, foi mesmo a entrevista "A Fé é claramente nocturna", entrevista de Carlos Vaz Marques, na revista "Ler", que consta no final d'" O Hipopótamo de Deus"!!!).
De um livro de poesia, o melhor se calhar, é "apenas" copiar um dos poemas:
OS AMIGOS


Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles e são sempre
adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido prático
sem grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos no seu exagero
de temporalidade pura


Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o fortuito significado dos campos
explica por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis


Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
e por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor

Outra vez "O hipopótamo de Deus" de JTM (2x)

No seguimento da entrada de 27/07/2012, ou seja, quase dois anos depois, novamente o "O hipopótamo de Deus" de José Tolentino Mendonça! Mas entretanto o hipopótamo cresceu (de 48 para 84 crónicas), deixando a "pequena" Assírio & Alvim (2010), passando para as Paulinas (Outubro, de 201). Na capa, do hipopótamo "crescido", refere-se "Quando as perguntas que trazemos valem mais do que as respostas provisórias que encontramos".
Foi bom reler alguns textos, como "A sintaxe das lágrimas", de onde, desta vez, copio: "Ao chorar, mesmo na solidão mais estrita, dirigimo-nos a alguém: esforçamo-nos para que ninguém veja que choramos, mas choramos sempre para um outro ver. As lágrimas emprestam um realismo único, irresistível, à dramática expressão de nós próprios. São um traço tão pessoal como o olhar ou o mover-se ou o amar."
Dos novos territórios, gostei de conhecer a Esther (Etty) Hillesum (A Rapariga de Amesterdão), pelo que fica a vontade de "ir ter" com ela, os a citação inicial d' "O magistério da bondade":
"O escritor norte americano Mark Twain assinou esta frase certeira: «A bondade é o idioma que o surdo ouve e o cego vê.»".

15 de março de 2014

UNESCO - 100 milhões de raparigas não sabem ler

No meio de tantas "notícias", até podia passar despercebida, mas deixo esta pequena (e grande facto!) que encontrei num jornal de 13/03/2014 (fez-me lembrar o filme afegão "O buda caiu de vergonha" que passou por aqui em 6/08/2009):
A organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) fez saber que 100 milhões de raparigas dos países pobres e médios não sabe ler e alertou para o «grave desequilíbrio entre os géneros»  de que padece a educação à escala mundial. Estes factos foram revelados, ontem, na abertura da 58.ª sessão da Comissão do Estatuto Jurídico e Social da Mulher. 

22 de fevereiro de 2014

A tristeza do refugiado: deambular sem um espaço a que chame lar

Uma fotografia na última página da edição do jornal "metro" de 19 de Fevereiro de 2014 (ano VI, n.º 2.040), da agência EPA (?), que diz muito! Se calhar felizmente, ultimamente não tenho conseguido adicionar fotografias ao blogue, mas no meio de tantas notícias e barulho informativo que recebemos ao longo de uma curta semana, parei ao contemplar o rosto tapado da fotografia... deixo o texto que a acompanhava:
"A foto, divulgada ontem pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, mostra a jovem paquistanesa Malala Yousafzai a limpar as lágrimas, na fronteira, depois de ter ajudado vários refugiados sírios a passá-la. Malala e o pai também tiveram de fugir de casa, no Paquistão, tendo estado durante três meses sem lar, andando de um lado para o outro. Por isso sabem como é estar longe de casa."

24 de janeiro de 2014

Museu Benfica - Cosme Damião

Uma bela tarde no novo Museu do Benfica - Cosme Damião, inaugurado a 26 de Julho de 2013 (quase a fazer meio ano, fui o visitante 29 mil e tal).
Primeiro com romagem à estátua do rei Eusébio, para mais agora aquecida pelos inúmeros cachecóis e estrutura... pelo menos não passa frio!
Foram 3 horas, mas podiam perfeitamente ter sido 6 horas, ou talvez, melhor, 6 dias!!!
A primeira parte foi mais demorada, incluindo os últimos títulos de Campeão Nacional de futebol... com direito a muitos golos no écran!
A passagem do piso 0 para o 1 está bem conseguida, afinal acompanhamos, lado a lado, a caminhada do Benfica e da Humanidade, sendo que parei mais demoradamente num triste episódio de 1949, o jogo de despedida do capitão Francisco Ferreira com o grande AC Torino, pois no dia seguinte (4 de Maio de 1949) o avião que levava a equipe italiana despenhou-se no morro da Basílica de Superga (arredores de Turim).
Metade do piso 1 foi já visto a "correr", sendo que estava no início da área (uma grande área) do Eusébio (parece mesmo que está a escutar os elogios dos colegas... tecnologias!), quando fui chamada para o vídeo dos 10.000 segundos de Benfica (já no piso 2), pelo que ficará para mais tarde uma primeira vista aos treinadores (mestres da bola), às digressões e popularidade (Benfica universal), às honras maiores (distinções honoríficas) e aos presidentes (homens do leme).

26 de agosto de 2013

São Tomás de Aquino de GK Chesterton

"São Tomás de Aquino" de Gilbert Keith Chesterton (1874-1936), um livro em que a curiosidade não estava circunscrita ao biografado, mas perpassava também para o autor!
O autor após um retrato de São Francisco de Assis aventura-se pelo também Santo e filósofo (e doutor da Igreja) Tomás (1225-1274), estabelecendo continuamente pontes onde à partida parecia que não existiriam! Confesso que as partes mais "duras" de filosofia não me cativaram tanto, mas gostei de pensar com o autor que na (alta) Idade Média se calhar não eram assim tão atrasados, ou longe do saber da antiguidade, veja-se o caso do dominicano Tomás e de Aristóteles, como se procura fazer crer!
Numa biografia os episódios mais mundanos (viver) são os que prendem e as desventuras familiares ou a alcunha do estudante Tomás "Boi Mudo" estão nessa linha.
"Um santo é um medicamento por ser um antídoto. Na verdade, é também por isso que, muitas vezes, ele é um mártir ele é confundido com um veneno por ser um antídoto."
 
O livro fez-me rever os capítulos de dois livros, que para espanto meu... não constam deste blogue! E como foram lidos há não muitos anos, algo se terá passado?
"10 ateus que mudaram de autobus" de José Ramon Ayllón (mais um grande livro da Gráfica de Coimbra"), pois GK Chesterton é um desses ateus. Um dos grandes escritores do século XX, boémio e excêntrico, para mais com uma corpulência que o fazia aproximar de São Tomás ("Relativamente ao meu peso, ainda ninguém o calculou" costumava dizer), sendo que foram os editores da sua biografia de São Francisco de Assis que, dez anos mais tarde, lhe pedem uma biografia de São Tomás de Aquino. Ainda antes de se converter ao catolicismo e treze anos antes do Baptismo, em 1908 surge o seu livro "Ortodoxia" (em jeito de pacífica provocação intelectual: "Se alguém me pergunta, do ponto de vista exclusivamente intelectual, por que é que creio no cristianismo, só lhe posso responder que creio nele racionalmente, obrigado pelo evidência" ... "A tremenda imagem que paira nas frases do Evangelho levanta-se - nisto como em tudo - por cima de todos os sábios tidos como grandes").
O segundo livro é "Os doutores da Igreja" de Jean Huscenot (Paulus, 1998), uma dezena de páginas em linguagem mais acessível do «Anjo da Escola» ou «O Doutor Angélico».
"Mas as felicitações e as predições do professor já famoso desconcertam a todos! Ouvi: - «Chamais "boi mudo" a Tomás. Pois eu digo-vos que o seu ensaio me convenceu de que os seus mugidos haverão de encher o universo inteiro»."
Três exemplos de formulações tomistas (A Suma teológica, 1266-1272):
"- O Bem. O homem que procura o seu verdadeiro bem está a caminho de Deus, mesmo que não o nomeie, mesmo que não saiba que este verdadeiro bem é Deus (ST: I; 2, 1).
- A amizade. É impossível viver sem nenhuma simpatia. Um amigo é o bem exterior mais precioso. O homem precisa da ajuda dos seus amigos para agir bem (ST: I, 2; 81, 3).
- O essencial no Evangelho. O que é principal na Lei do Novo Testamento e em que reside todo o seu valor é a graça do Espírito Santo (ST: II, 2; 106, 1)."
"Vida unificada: este santo é santo porque é doutor e este doutor é doutor porque é santo. Dele pôde afirmar-se: o mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios."