15 de março de 2014

UNESCO - 100 milhões de raparigas não sabem ler

No meio de tantas "notícias", até podia passar despercebida, mas deixo esta pequena (e grande facto!) que encontrei num jornal de 13/03/2014 (fez-me lembrar o filme afegão "O buda caiu de vergonha" que passou por aqui em 6/08/2009):
A organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) fez saber que 100 milhões de raparigas dos países pobres e médios não sabe ler e alertou para o «grave desequilíbrio entre os géneros»  de que padece a educação à escala mundial. Estes factos foram revelados, ontem, na abertura da 58.ª sessão da Comissão do Estatuto Jurídico e Social da Mulher. 

22 de fevereiro de 2014

A tristeza do refugiado: deambular sem um espaço a que chame lar

Uma fotografia na última página da edição do jornal "metro" de 19 de Fevereiro de 2014 (ano VI, n.º 2.040), da agência EPA (?), que diz muito! Se calhar felizmente, ultimamente não tenho conseguido adicionar fotografias ao blogue, mas no meio de tantas notícias e barulho informativo que recebemos ao longo de uma curta semana, parei ao contemplar o rosto tapado da fotografia... deixo o texto que a acompanhava:
"A foto, divulgada ontem pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, mostra a jovem paquistanesa Malala Yousafzai a limpar as lágrimas, na fronteira, depois de ter ajudado vários refugiados sírios a passá-la. Malala e o pai também tiveram de fugir de casa, no Paquistão, tendo estado durante três meses sem lar, andando de um lado para o outro. Por isso sabem como é estar longe de casa."

24 de janeiro de 2014

Museu Benfica - Cosme Damião

Uma bela tarde no novo Museu do Benfica - Cosme Damião, inaugurado a 26 de Julho de 2013 (quase a fazer meio ano, fui o visitante 29 mil e tal).
Primeiro com romagem à estátua do rei Eusébio, para mais agora aquecida pelos inúmeros cachecóis e estrutura... pelo menos não passa frio!
Foram 3 horas, mas podiam perfeitamente ter sido 6 horas, ou talvez, melhor, 6 dias!!!
A primeira parte foi mais demorada, incluindo os últimos títulos de Campeão Nacional de futebol... com direito a muitos golos no écran!
A passagem do piso 0 para o 1 está bem conseguida, afinal acompanhamos, lado a lado, a caminhada do Benfica e da Humanidade, sendo que parei mais demoradamente num triste episódio de 1949, o jogo de despedida do capitão Francisco Ferreira com o grande AC Torino, pois no dia seguinte (4 de Maio de 1949) o avião que levava a equipe italiana despenhou-se no morro da Basílica de Superga (arredores de Turim).
Metade do piso 1 foi já visto a "correr", sendo que estava no início da área (uma grande área) do Eusébio (parece mesmo que está a escutar os elogios dos colegas... tecnologias!), quando fui chamada para o vídeo dos 10.000 segundos de Benfica (já no piso 2), pelo que ficará para mais tarde uma primeira vista aos treinadores (mestres da bola), às digressões e popularidade (Benfica universal), às honras maiores (distinções honoríficas) e aos presidentes (homens do leme).

26 de agosto de 2013

São Tomás de Aquino de GK Chesterton

"São Tomás de Aquino" de Gilbert Keith Chesterton (1874-1936), um livro em que a curiosidade não estava circunscrita ao biografado, mas perpassava também para o autor!
O autor após um retrato de São Francisco de Assis aventura-se pelo também Santo e filósofo (e doutor da Igreja) Tomás (1225-1274), estabelecendo continuamente pontes onde à partida parecia que não existiriam! Confesso que as partes mais "duras" de filosofia não me cativaram tanto, mas gostei de pensar com o autor que na (alta) Idade Média se calhar não eram assim tão atrasados, ou longe do saber da antiguidade, veja-se o caso do dominicano Tomás e de Aristóteles, como se procura fazer crer!
Numa biografia os episódios mais mundanos (viver) são os que prendem e as desventuras familiares ou a alcunha do estudante Tomás "Boi Mudo" estão nessa linha.
"Um santo é um medicamento por ser um antídoto. Na verdade, é também por isso que, muitas vezes, ele é um mártir ele é confundido com um veneno por ser um antídoto."
 
O livro fez-me rever os capítulos de dois livros, que para espanto meu... não constam deste blogue! E como foram lidos há não muitos anos, algo se terá passado?
"10 ateus que mudaram de autobus" de José Ramon Ayllón (mais um grande livro da Gráfica de Coimbra"), pois GK Chesterton é um desses ateus. Um dos grandes escritores do século XX, boémio e excêntrico, para mais com uma corpulência que o fazia aproximar de São Tomás ("Relativamente ao meu peso, ainda ninguém o calculou" costumava dizer), sendo que foram os editores da sua biografia de São Francisco de Assis que, dez anos mais tarde, lhe pedem uma biografia de São Tomás de Aquino. Ainda antes de se converter ao catolicismo e treze anos antes do Baptismo, em 1908 surge o seu livro "Ortodoxia" (em jeito de pacífica provocação intelectual: "Se alguém me pergunta, do ponto de vista exclusivamente intelectual, por que é que creio no cristianismo, só lhe posso responder que creio nele racionalmente, obrigado pelo evidência" ... "A tremenda imagem que paira nas frases do Evangelho levanta-se - nisto como em tudo - por cima de todos os sábios tidos como grandes").
O segundo livro é "Os doutores da Igreja" de Jean Huscenot (Paulus, 1998), uma dezena de páginas em linguagem mais acessível do «Anjo da Escola» ou «O Doutor Angélico».
"Mas as felicitações e as predições do professor já famoso desconcertam a todos! Ouvi: - «Chamais "boi mudo" a Tomás. Pois eu digo-vos que o seu ensaio me convenceu de que os seus mugidos haverão de encher o universo inteiro»."
Três exemplos de formulações tomistas (A Suma teológica, 1266-1272):
"- O Bem. O homem que procura o seu verdadeiro bem está a caminho de Deus, mesmo que não o nomeie, mesmo que não saiba que este verdadeiro bem é Deus (ST: I; 2, 1).
- A amizade. É impossível viver sem nenhuma simpatia. Um amigo é o bem exterior mais precioso. O homem precisa da ajuda dos seus amigos para agir bem (ST: I, 2; 81, 3).
- O essencial no Evangelho. O que é principal na Lei do Novo Testamento e em que reside todo o seu valor é a graça do Espírito Santo (ST: II, 2; 106, 1)."
"Vida unificada: este santo é santo porque é doutor e este doutor é doutor porque é santo. Dele pôde afirmar-se: o mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios."

5 de julho de 2013

Lisboa Story Center

Ou Memórias da Cidade, mas afinal estão na moda os estrangeirismos! Uma exposição em que as explicações nos chegam através dos auscultadores, pelo que é sobretudo ouvir e ver, não tendo quase nada para ler! O percurso faz-se em cerca de uma hora, sendo especialmente vocacionado para turistas (até pelo preço), destacando-se o filme de cerca de 9 minutos que procura recriar o terramoto de 1 de Novembro de 1755. Termina com a "Lisboa Virtual", pelo que através de computador podemos ler sobre alguns momentos históricos vividos na capital, sendo que, como não estava mais ninguém na altura, repeti várias vezes a evocação do 25 de Abril, com a fotografia do Capitão Salgueiro Maio e... o Grândola, vila morena!
A mostra tem outro atractivo, afinal passei muitas vezes pelo átrio do Ministério das Finanças, pelo que foi giro perceber em que zona me encontrava (dado que agora estão "mascaradas"), onde se realizavam várias exposições, com destaque para a mostra anual dos premiados no Festival Internacional de Cartoons do Porto. O que me deixou a pensar no que uma guia da Fundação Mata do Buçaco referiu numa recente visita ao Buçaco (Bussaco para estrangeiros!), quanto ao facto do rei querer  fazer do seu palácio de caça um palácio do povo... afinal hoje temos um Palace Hotel do Bussaco (5 estrelas), felizmente que ainda se consegue ver muita da sua riqueza do exterior (como os azulejos da varanda exterior ou as colunas serem todas diferentes), mas isto não tem nada a ver com Lisboa... ou se calhar tem, em especial se tivermos em conta as condições periclitantes, sobretudo após os últimos temporais, em que se encontra o Convento de Santa Cruz do Buçaco!

Zona (GTIST)

Após uma ausência de alguns anos, tendo em conta que era "cliente" habitual do Dona Maria e da Cornucópia (Teatro do Bairro Alto), mas com passagens pelo Trindade, Villaret ou Teatro Aberto, em pouco tempo vi duas peças de teatro!!
O regresso foi com o "Condomínio da rua" no Dona Maria, que ficará para mais tarde.
A segunda peça foi de teatro universitário, graças a um desafio de uma das atrizes. Penso que não será correcto escrever "teatro amador", dado que apesar das parcas condições técnicas, senti que a peça foi desenvolvida e apresentada com muita empenho e amor à causa! Na página do Grupo de Teatro do Instituto Superior Técnico (GTIST), e nunca tinha entrado no IST, referem que o grupo está em plena actividade desde 1992/1993, mas gostei sobretudo da frase de entrada, do José Gomes Ferreira, que há vários anos guardo no coração: "Proibida a entrada a quem não andar espantado de existir" (logo no início das "Aventuras de João sem medo, panfleto mágico em forma de romance").
Logo à porta apercebi-me que os actores são "paus para toda a obra", pois pode ser preciso combinar com o segurança questões práticas! Como acabei por ser dos últimos a entrar (condiz comigo!), fiquei na última fila (não que existam muitas, mas são 4 ou 5, embora "flexíveis"), pelo que pude comprovar as multi-tarefas do encenador Nicolas Brites, como anfitrião, electricista (afinal é desenho e operação de luz), homem do som (concepção sonora e sonoplastia), etc...
A leitura dos breves textos que acompanham o prospecto, que afinal também era o "bilhete", não me deu grande pistas e deixou-me algo confuso, mas reconheço que depois de ver a "Zona" as palavras batem certo com o que vivenciámos, tendo o Nicolas Brites (em Portugal com várias variantes para o 1.º nome!) terminado assim: "Tratamos aqui de sensações, de percepções, de emoções, de pequenos prazeres, de grandes alegrias, de profundas desilusões, e mesmo de tristezas."
De qualquer forma, copio também o trecho de um autor americano que aprecio. In "Cartas da Terra" de Mark Twain: "Isto aqui é um lugar estranho, extraordinário e interessante. Não há nada de semelhante aí pelos nossos sítios. Todas as pessoas são loucas, a Terra é louca, a própria natureza é louca. O homem é uma maravilha curiosidade. Quando está no seu melhor é uma espécie de anjo passado por um banho de níquel; no seu pior é indiscritível, inimaginável; é, de ponta a ponta, um sarcasmo. E no entanto chama-se a si própria, com brandura e sinceridade, a «mais nobre das obras divinas»."
Confesso que no início não estava a perceber nada da peça, e o calor também era algum, em sentido figurado e recorrendo mais a expressões corporais, sobretudo de costas, mas na segunda parte os diálogos são mais acessíveis, para aquele grupo que estava na zona... entre o céu e o inferno!!!
No final cada actor fez uma agradável apresentação, misturando a sua personagem e a sua vida, num jogo do gato e do rato, pelo menos esta foi a minha percepção após ouvir a Sandra Subtil (também responsável pela tesouraria, (mais) uma tarefa que não condiz muito com a arte, mas de facto deve ser preciso fazer "milagres").
Se não fosse o convite, nunca teria entrado nesta "zona"... obrigado Marina!

17 de junho de 2013

Silêncio...

Não deixa de ser curioso, mas após uma ausência de quase 4 meses de blogue, e com tantas entradas atrasadas, a de hoje seja sobre um livro que não li... ainda!
"Silêncio" de Shusaku Endo é o motivo!
Fui de "encontro" a este livro através do convite para um "Encontro com Fé" anunciado à porta da livraria Ferin na rua Nova do Almada, por certo num dos passeios de hora de almoço... à FNAC! Desde 1995 a calcorrear a Baixa quase diariamente e nunca tinha entrado na livraria Ferin, e nem sabia que na cave existia uma sala/anfiteatro, apesar de já ter ouvido na Antena 1 algumas apresentações coordenadas pelo Ribeiro e Castro de lá, mais uns tempos e as grandes livrarias vão "secar tudo à volta"... e eu também tenho culpa! Depois confirmei (a vista d)o convite à porta da Igreja de São Nicolau, que participa na organização destes "Encontros com Fé" (ou livros com Fé?). A apresentação do livro esteve a cargo a Áurea Miguel e valeu a hora passada a "conhecer" melhor a história e vicissitudes dos mártires do Japão, apesar de ter referido que para ela o livro não "acaba bem", afinal o tema do romance anda à volta dos primeiros missionários católicos no Japão. Infelizmente a assembleia não era numerosa, cerca de 10 pessoas, mas é melhor não entrar pelas quantidades!
Por fim um referência ao Shusaku Endo (1923-1996), que desconhecia (a cultura não dá para mais!), que escreveu a partir da perspectiva fora do comum de ser japonês e católico.