26 de agosto de 2011

Pequenas flores vermelhas

Sem nenhuma ideia sobre como seriam as "Pequenas flores vermelhas" de Zang Yuan, o factor decisivo para a compra acabou por ser o facto de ser um filme chinês, sendo, que me recorde, só terei visto um filme há meia dúzia de anos sobre um roubo de uma bicicleta numa grande cidade chinesa. Desta vez acompanhamos um irrequieto rapaz de 4 anos, o Fang Qiang Qiang, que em 1949 em Pequim entra para um infantário de internato devido às ausências prolongadas de casa dos seus pais. Sendo que o DVD até traz um documentário sobre as dificuldades de filmar com um conjunto grande de crianças, bem como da alegria do reencontro com os seus pais nas paragens das filmagens, as pequenas flores vermelhas mais não são que o prémio por quem se portava bem, coisa que o Qiang não conseguia!

24 de agosto de 2011

Maria Stuart Rainha da Escócia

"Maria Stuart Rainha da Escócia" (Mary of Scotland, 1936) é mais um grande filme do meu realizador preferido, neste caso ainda longe do velho oeste... John Ford. Continuarei a minha saga de encontrar um filme do mestre Ford de que não goste! Este parte de um episódio histórico trágico, que levou à morte desta rainha católica às mãos da sua prima a rainha Isabel I de Inglaterra, retratando toda uma atmosfera de poder, conspiração e acordos não cumpridos, mas também de amor, neste caso contando com um belo trunfo... a Katharine Hepburn:

a minha vida

"a minha vida - a autobiografia do Papa Bento XVI" de Joseph Raztinger da Livros do Brasil (2005), sendo escrito pelo próprio, até à altura de ter sido eleito Papa pelos cardeais, tem a sua força precisamente nesse facto, abordando os seus pais e irmãos, a II Guerra Mundial e as deambulações do teólogo pelo ensino e a investigação.

"Muitos destes seminaristas tinham prestado serviço militar durtante a guerra - quase todos durante vários anos -, passando por horrrores e provações que marcaram profundamente as suas vidas. Por isso, é compreensível que muitos destes velhos soldados olhassem para nós, jovens, como se fôssemos crianças imberbes a quem faltavam os sofrimentos ao ministério sacerdotal e que não tinham passado por aquelas noitas escuras da alma em que o sim ao sacerdócio pode receber a sua verdadeira forma."

"Ninguém duvidava que a Igreja era o lugar das nossas esperanças. Apesar de muitas fragilidades humanas, a Igreja tinha sido o pólo de oposição à ideologia destruidora da ditadura nazi; tinha permanecido de pé no meio do Inferno, que até poderosos engolira, graças à sua força proveniente da eternidade."

"Éramos mais de quarenta candidatos; quando fomos chamados respondemos Adsum, «Eis-me aqui». Era um esplêndido dia de Verão, que se tornou inesquecível como o momento mais importante da minha vida."

"Como lema episcopal escolhi duas palavras da Terceira Epístola de São João (versículo 8): «colaboradores da verdade», antes de mais, porque me parecia que tais palavras representavam bem a continuidade entre as minhas anteriores funções e este meu novo cargo; apesar de todas as diferenças, tratava-se e trata sempre da mesma coisa, seguir a verdade, pôr-se ao seu serviço."

Laranja Mecânica

A "Laranja Mecânica" de Stanley Kubrick (1971) será um clássico, pelo menos da violência gratuita, que nos deixa algo perturbados, embora no filme acabemos por ficar do lado do Alex e da sua "cura"!

O Caimão

"O Caimão" de Nanni Moretti (2006) é uma comédia com laivos de drama político, uma vez que aborda a tomada do poder por Sílvio Berlusconni em favor de interesses pessoais. Curiosamente o filme foi estreado pouco tempo antes da realização de eleições em Itália, envolto em grande polémica, sendo que o Berlusconni, apesar de ter sido o mais votado na altura, acabou por não ser nomeado primeiro-ministro, embora tenha voltado ao poder depois. Afirmando-se o realizador como de esquerda esse facto foi a justificação para uma parte da comunicação social, em especial a controlada pelo Berlusconni, não abordar a estreia do filme. Mas o filme, o primeiro em que o Nanni Moretti não é o protagonista num filme seu, aborda também a questão dos problemas familiares que o protagonista atravessa pois está a separar-se da sua mulher, sendo que os dois filhos jogam um papel importante. Não sendo para mim um grande filme, afinal estava com as expectativas do grande filme anterior do Nanni ("O Quarto do Filho"), senti algo que não é muito habitual, afinal gostei mais dos extras do que do filme, em especial o documentário "O Diário do Caimão" em que se explica e comenta a realização do filme.

Bento XVI e o último conclave

O livro "Bento XVI e o último conclave - Os segredos da eleição do novo Papa" de Alfredo Urdaci (Dom Quixote, 2005) permitiu-me conhecer melhor, em parte, os mistérios da escolha de um nvo Papa, para além de algumas páginas dedicada à vida de Joseph Ratzinger.

Um "reencontro" com João XXIII: "No dia em que foi eleito, Roncalli escreveu no seu diário: «Parece um sonho, mas é antes de morrer, a realidade mais solene de toda a minha pobre vida.»"

Alguns conselhos do Joseph: "A seguir, a santa missa e o breviário. Para mim, são ambos os actos fundamentais do dia. A missa é o encontro real com a presença de Cristo ressuscitado; e o breviário, a entrada na grande oração suplicante de toda a história sagrada. Aqui, os salmos são a peça essencial. Aqui, reza-se com os milénios e ouvem-se as vozes dos Padres da Igreja. Tudo isto nos abre a porta para iniciar o dia. Depois, vem o trabalho normal.»"

E o indespensável João Paulo II: "A 26 de Março de 2000, abeira-se do Muro das Lamentações e pede perdão pelas culpas históricas dos cristãos. Algumas têm: entre outras, estão as dos papas que amuralharam o bairro judeu de Roma, decretaram o toque a recolher e inventaram o sinal identificativo dos judeus: a estrela amarela nas suas roupas que, mais tarde, os nazis copiaram."

"Ratzinger toma nas homilias palavras de João XXIII para relembrar aos que acorrem a despedir-se de João Paulo II. «A Igreja está viva. a Igreja é jovem.»"

19 de agosto de 2011

Colóquios nocturnos de Jerusalém

O livro "Colóquios nocturnos de Jerusalém - Sobre o risco de acreditar" do Cardeal Carlo M. Martini e de Georg Sporschill, da Gráfica de Coimbra 2 (2009) traduz uma série de conversas com o Cardeal Martini, um dos mais fortes candidatos "reformistas" do último conclave papal.

O cardeal Carlo Maria Martini (nasceu em 1927) é um biblista mundialmete conhecido, que foi durante muitos anos reitor da Pontifícia Universidade Gregoriana. Em 1979 foi nomeado arcebispo de Milão. Jubilado desde 2002, vive actualmente em Jerusalém. Georg Sporscill (nasceu em 1946) é um jesuíta austríaco que se dedica, principalmente, à pastoral social. Trabalha na Europa de Leste desde 1991, empenhando-se em dar corpo a uma organização que se ocupa das crianças da rua e dos jovens desamparados. Obteve o Prémio Félix Ermacora para os Direitos Humanos e o Prémio Albert Schweitzer. Em 2004, foi declarado o "austríaco do ano".

"Tal como treinamos as forças físicas também podemos treinar as espirituais. Se eu estiver sempre a ver televisão, constantemente sentado ao computador, então os "músculos" do amor, da fantasia e também da relação com Deus tornam-se cada vez mais fracos."

"O meio mais eficaz para fazer amigos, que ainda não referi, foi para mim especialmente importante sobretudo na trabalho com os jovens. A palavra mágica é esta: Faz com que os outros te ajudem. (...) Um amigo torna o outro grande. Descobre os seus talentos e ajuda-o a usá-los, forma-o."

"A Igreja precisa de pessoas que façam despontar noutros a coragem e a magnanimidade para se colocarem ao serviços dos homens. Naturalmente, antes de mais, isso implica a descoberta dos próprios talentos."