20 de julho de 2012

Sem Tempo e Le Havre

Já os vi há algum tempo, em Dezembro e Abril, mas deixo a minha breve e ténue lembrança. 
O "Sem Tempo" (de 2011, "In time" no original!) é uma das grandes produções americanas, bastaria pensar nas estrelas Amanda Seyfried, coitada, passou o filme todo a correr de um lado para o outro de saltos altos, e Justim Timberlake, e às vezes acontece ser "arrastado", mas a ideia até está engraçada, pois se o tempo pudesse  ser comprado, os pobres ficariam com muito pouco! Afinal na sinopse é referido que num futuro próximo, a genética manipula o gene do envelhecimento. Após os 25 anos ninguém envelhece. Mas, para evitar problemas de de sobrepopulação, a morte passa a depender do tempo que cada um tem, tempo esse que passou a servir de moeda de troca, substituindo o dinheiro.

O visionamento do segundo filme, franco-alemão-finlandês: "Le Havre" (também de 2011, o mesmo título no original), do finlandês Aki Kaurismaki, foi motivado por uma ida a Taizé:
Portanto, a pequena aldeia campestre de Taizé na Borgonha levou-me até à cidade portuária de Le Havre na Alta Normandia!  É que motivado, logo após a chegada de Taizé na Semana Santa, por uma ida à Oração de Taizé na 4.ª-feira às 21h30 na Igreja de São Tomás de Aquino (excepto na primeira 4.ª-feira do mês, que é na Igreja do Convento de São Domingos de Lisboa, no Alto dos Moinhos) acabei por escolher, mais ao menos ao acaso, este filme de autor que retrata vida do antigo escritor Marcel Marx (André Wilms) que se exilou como engraxador nesta cidade e que, no meio da banalidade, tem ocasião para ajudar o Idrissa (Blondin Miguel) uma criança imigrada perseguida pelas autoridades que chega a bordo de um contentor, acolhendo-o em casa e, congregando vários esforços, ajudando-o a chegar a Londres, mesmo que no fim tenha tido a ajuda inesperada de um inspector (Jean-Pierre Darroussin), é bom vermos alguns finais cor-de-rosa!

As noites de um profeta, Dom Hélder Câmara no Vaticano II

O livro até já tinha merecido meia entrada em 1 de Novembro (antes da paragem), sendo que já o li há algum tempo, mas gostei bastante de conhecer mais algumas facetas de Dom Hélder Câmara, mesmo que tenha sido aprender a sua importância através do silêncio público de discursos conciliares e, de facto, é bem difícil fazer silêncio!
O livro é da autoria de José de Broucker e chama-se "As noites de um profeta - Dom Hélder Câmara no Vaticano II (leitura das circulares conciliares de Dom Hélder Câmara (1962-1965)", sendo uma edição brasileira de 2009 da Paulus (a edição original francesa é de 2005), e não foi fácil encontrar um simples livro do grande Dom Hélder, que me foi "apresentado" pelo Abbé Pierre no seu belo livro, ou melhor, testemunho, "Memórias de um crente"" 
Apenas alguns pequenos extractos que, 50 anos depois, continuam actuais:
"Durante o Concílio, Dom Hélder nunca deixou de pensar que era dever dele viver aquilo que ele tivesse votado. Particularmente - mas não somente - como bispo de uma Igreja "servidora e pobre".
Ele invoca, então, como testemunha, seu querido Francisco de Assis: "Não é fácil, Francisco, passar belas teorias para a realidade corajosa e dura. Eu me aflijo por estar ligado a um império...""

"Hoje e amanhã, vigílias mais longas, missas, se possível, melhor vividas, estado de oração. Não se surpreendam: como o clima está para a aventura, eu tenho intenção de ir ver, às 16 horas, o Circo Orfeu... Eu necessito de uma imersão no mundo das crianças: elas acreditam no impossível. (Roma, 6-7 de Novembro de 1965.)"

"Ontem, eu tive o melhor de meus reencontros com os pobres de Roma. Quando eu os interpelo, eles me dão sempre conselhos em nome de Deus...Eu lhes pergunto como se chamam (eu sei que eles carregam o nome de Jesus Cristo). Pergunto-lhes como vão... E acrescento: agora, diga-me qualquer coisa da parte de Deus... (Roma, 16-17 de Outubro de 1965.)"
Basta, às vezes, perguntar como ele se chama, como vai, como suporta ele o frio, onde ele mora...Qualquer coisa de mais rico do que uma esmola, mais quente do que uma palavra convencional. Basta, às vezes, um olhar de amizade... (Roma, 11-12 de Novembro de 1965.)"

19 de julho de 2012

O Moinho e a Cruz (Bruegel)

Um filme dos que mais aprecio, para pensar e aprender alguma coisa, para crescer! Apesar do cinema até ter pipocas, e outras alternativas mais comerciais, a escolha foi "O Moinho e a Cruz" do polaco Lech Majewski, uma co-produção polaco-sueca (2011), com Rutger Hauer a protagonista e com, os conhecidos, Michael York e Charlotte Rampling.
PS: como campeonato da Europa de futebol (sénior) terminou há pouco tempo, tenho que procurar um filme... ucraniano! 
Não sendo dos pintores mais fáceis, Pieter Bruegel, o Velho, e sendo a "A Torre de Babel" (1563) mais conhecido, ou pelo menos de que me lembrava, e faz também alguma confusão ver quadros da "Sagrada Família" na neve, mas a temática interessou-me.
A sinopse do folheto refere: "Em 1564, Peter Bruegel (1525-1569) pintou "A Procissão e o Calvário", uma representação a óleo em tela com mais de 500 personagens, sob o tema da crucificação de Jesus e as perseguições religiosas em Flandres. Em 1996, mais de 400 anos depois, esse quadro deu origem à monografia "The Mill and the Cross", uma análise exaustiva à obra de Bruegel pelo reconhecido crítico de arte Michael Francis Gibson. Em 2011, o cineasta polaco Lech Majewski, inspirado por ambas as obras e utilizando cenários pintados conjuntamente com as mais recentes técnicas digitais, transporta para o grande ecrã a história de 12 daqueles personagens, num ambiente estilizado como se de um quadro a óleo se tratasse."
Gostei de ver, apesar de causar estranheza, ver Jesus passar por uma Catedral antes de ser crucificado, ou a explicação para a condenação poder estar em Ele ter vindo anunciar a Reforma! Possivelmente os espanhóis não verão o filme com tanta "despreocupação", afinal, espinhos da "história", eles (Habsburgos) eram os ocupantes da Flandres, para mais em época de perseguições religiosas! (PS: para mais de túnicas vermelhas, mas não vou falar mais de futebol, embora me ocorre-se na altura, se calhar completamente a despropósito, a final do mundial da África-do-Sul!)
Um dos filmes que me obrigou a ver até ao fim a ficha técnica, não que os nomes polacos me sejam familiares, mas queria saber em que museu se encontra o quadro e... não consegui! Tive de recorrer ao livro da Taschen (muito boa colecção do Público, apesar de ser mais de consulta do que de leitura propriamente dita), "Bruegel" da Rose-Marie e Rainer Hagen (2004) indica-me que está em Viena no Kunsthistorisches Museum Wien, tal como "A Torre de Babel", cuja sala vemos no final do filme. Por acaso no livro o quadro tem o titulo de "O Transporte da Cruz".
O filme também me ajudou a perceber que um quadro "vive", afinal a sua interpretação e leitura vai evoluindo ao longo do tempo, pois neste livro refere-se "um rochedo encimado por um moinho cujo significado é desconhecido", que pelos vistos o académico Michael Francis Gibson interpretou como o dono dele ser Deus.
Nunca tinha imaginado um Simão de Sirene tão envolto numa multidão, pois vemos Jesus sucumbir sob o peso da Cruz envolto numa multidão, afinal estamos perante cerca de 500 personagens num quadro de 124 x 170 cm, mas tirando Maria e as mulheres, com o apóstolo João, em primeiro plano, a maioria não parece compreender o significado da crucificação iminente... tal como ainda hoje acontece!

Maria Ana Bobone - fado & piano

Descobri a voz da Maria Ana Bobone através do hino do Pirilampo Mágico de 2006, que a certa altura referia:

Não deixes que as mãos vazias
Percam o sorriso no ar
Toca os sonhos de magias
Mais do que és, és tu a dar

O CD seguinte "Nome de Mar" (de Mar... ia) correspondeu às expectativas, o que me obrigou a estar atento à sua carreira, que até nem é das mais conhecidas e badaladas fadistas da nova geração! Apesar de não encontrar o CD de momento, a internet diz-me que foi editado em 2006, pelo que foi com surpresa e alegria que vi há poucas semanas o seu último CD, para mais com o sugestivo nome de "fado & piano", sendo que a mistura até combina! Apesar de ter acabado por o ouvir na altura, mal o vi soube que o ia comprar, e, tal como tem acontecido com os últimos CD's de que mais tenho gostado, acabei por o ouvir, quase até à exaustão, ao adormecer!

Como música não combinará tanto com blogue, apesar de até funcionar bem no FB... mudei de ideias:

, mas não cabendo o piano nesta entrada, deixo a letra de um bonito fado, sendo que esta escolha é motivada pela sua mensagem, da autoria de Rodrigo Serrão (a música é da própria Maria Ana Bobone), intitulado "Auto-retrato":

Eu começo e sou só eu mais nada,
Que a certeza do fim da estrada,
Só se encontra depois da porta aberta
E nela a descoberta é feita passo a passo.

Recomeço, finjo não estar cansada,
Que um sentido espera à chegada,
E caminho, como se o que ficou
Não fosse mais do que outra ponte que acabou,
Como se eu fosse uma maré que ali virou…

E se vento chamar por mim –
Sou uma asa que se abre enfim!
E ao chegar à minha outra margem,
Sou a soma da viagem!

Recomeço, que nesta nova estrada,
Há um sonho, uma alvorada,
E caminho, que a cada nova entrega
há algo que me espera e leva a outro lado.

Eu começo mas levo aqui comigo,
Quem de oferta me deu abrigo,
Recomeço, não sei aonde vou,
Mas ao chegar à outra margem do que eu sou,
Hei-de ser tudo o que me trouxe aonde estou!

P’lo caminho… descobrindo…
passo a passo… quem eu sou.

Recomeço... ou talvez não!

Desde Novembro que não vinha ao blogue, exceptuando os momentos, que até nem foram muitos, em que tive de "libertar" comentários... ainda bem que simpáticos!
Até o "Blogger" já está com um aspecto completamente diferente, o que me vai obrigar a andar outra vez à procura das tarefas (e não me lembro do anterior ter verificador ortográfico!), mas isso é o menos, o mais, é mesmo eu ser preguiçoso!
Mas a área das estatísticas está engraçada, será verdade?!? Só pode aterrar aqui quem andar perdido ou então há procura de algo num motor de busca!!! Não estava à espera do Brasil, as vantagens de uma língua comum, Portugal, mesmo descontando as próprias visualizações (que já "desliguei"), Alemanha, Turquia e Rússia, ou seja, somos um país de diásporas... um "empurrão" para continuar! Obrigado!

1 de novembro de 2011

Anima Christi e Dom Hélder Câmara

Entrei na Paulus atrás de um CD dos "Anima Christi", uma edição especial, no fundo um reencontro depois do espetáculo na Festa da Vida, no dia 4 de Junho, no quartel da Força Aérea, depois de subir (e descer) a Serra de Montejunto:De que aliás, em poucos dias, já estou "farto" de ouvir o "Quero dizer-Te sim"! Mas houve um reencontro, e este não esperado, com um pequeno livro, que me mereceu um enorme sorriso, ainda por cima edição brasileira (para treinar o desacordo!), que já tinha visto e que na altura não tinha comprado, o que me deixou triste, pois nunca mais o reencontrei (nem com pedido a quem está a trabalhar no Brasil). O livro de José de Broucker chama-se "As noites de um profeta - Dom Hélder Câmara no Vaticano II" e, pela primeira vez, até merece uma entrada ainda antes de o ter lido!!!

21 de outubro de 2011

Incendies

"Incendies, a mulher que canta" um filme franco-canadiano de Denis Villeneuve, baseado numa peça do canadiano de origem libanesa Wajdi Moua, parte da leitura de um testamento da mãe de dois gémeos, que nessa altura descobrem que têm um irmão e um pai, que os dois achavam que havia falecido, com duas cartas para lhes entregar! É uma daquelas histórias fantásticas, no caso de sofrimento, em que pensamos que uma mulher/homem não consegue suportar, quando muito provavelmente muita gente "invisível" ainda as vive hoje! O filme é algo confusão até, quase no final, conhecermos a sua "chave"! Também a localização geográfica não foi imediata, embora tenha associado algumas partes à guerra civil no Libano no início dos anos 70, entre milícias cristãs e muçulmanas, mas ainda pensei que se referia a Israel e a Palestina, sendo que algumas casas não me eram completamente estranhas, afinal uma parte do filme foi filmada na Jordânia.