28 de fevereiro de 2010

Apresentação... de um Anjo!

Quase um mês depois deste pequeno acontecimento, que me encheu o coração, apesar de felizmente a vida não parar, não queria deixar de referi-lo.
Ocorreu em 2 de Fevereiro, dia da Festa da Apresentação do Senhor (40 dias depois do Natal), também conhecido por festa das velas, da Candelária ou da Purificação de Maria.
Gosto de sentir de perto alguma religiosidade popular, que, atendendo ao envelhecimento da população, se nota muito bem em Lisboa, por exemplo com a veneração a Santa Rita de Cássia. Quando faço Eucaristia durante a semana, normalmente opto pela pequena, que com pouco mais de 30 fiéis fica cheia, acolhedora e bonita Igreja de Nossa Senhora da Oliveira (13h10m). Para quem não a conhece, um belo desporto é tentar encontrá-la na rua de São Julião (PS: a solução é n.º 140).
Este ano resolvi ir à Eucaristia da festa na Basílica dos Mártires (13h20m), ou seja, troquei a baixa da Baixa pela alta da Baixa! Ao contrário do que acontece na Senhora da Oliveira, em que o Padre benze as velas acesas no início da celebração, nos Mártires elas são benzidas apagadas no fim, sendo os fiéis convidados depois a irem buscar a sua vela. Imbuído da calma própria do local, lá fui buscar a minha vela... mas como já não havia (e nem é preciso explicar a causa!), vim embora, e se por vezes nos acontece ficarmos chateados com o que não conseguimos "apanhar" da vida, desta vez isso não me aconteceu, pelo que todo contente da vida decidi vir embora (com a moeda na mão!). O que eu não estava à espera, e é incrível as vezes que Deus nos faz isso, é que me aparecesse um Anjo à frente, que desta fez se chamou Teresa, e que me ofereceu, apesar da minha ténue oposição, a sua vela. E assim, este insignificante episódio, termina com o meu regresso ao trabalho (é sempre a descer, até junto ao rio...), a meditar na beleza e na irracionalidade de alguma religiosidade popular, nos Anjos e... como afinal tinha uma moeda na mão, ainda "ganhei" um calendário da Basílica dos Mártires e da Igreja do Santíssimo Sacramento (esta parte da frase não vou explicar!!!), onde curiosamente passei a última passagem de ano!
Que a luz de Cristo, que esta festa das velas recorda, alumie os nossos passos, quer na vida quer na morte.

27 de fevereiro de 2010

Títulos e papéis (Boletim XVII)

A décima sétima contribuição para o boletim informativo da Paróquia de Nossa Senhora de Belém (Rio de Mouro), a newsletter n.º 92 relativa ao II Domingo da Quaresma.

Por vezes algumas palavras tocam-nos sobremaneira, foi o que me aconteceu com o artigo do Padre Duarte da Cunha publicado na “Voz da Verdade” da semana passada, intitulado “Os Cristãos na Terra Santa, e a solidariedade de todos os outros cristãos”.
Embora com muito menos sabedoria e ciência, lembrei-me de uma frase que escrevi numa crónica em Novembro, a propósito de uma peregrinação à Terra Santa:
Uma mágoa, afinal também lá peregrinei como turista, foi não ter conseguido, e se calhar não fiz tudo o que podia, fazer Eucaristia com os irmãos da Terra Santa; até posso contribuir no ofertório de 6.ª-feira Santa para eles, mas ter estado lá e não os “abraçar” é uma tristeza que guardo!

Para enquadramento, aqui copio e deixo algumas frases da primeira parte da crónica do Padre Duarte da Cunha: “(...) No dia 10 dividimo-nos em grupos de três ou quatro para participar na Missa de Domingo de uma paróquia. Fui a Nablus (antiga Siquém onde está o Poço de Jacob diante do qual o Senhor se encontrou com a Samaritana), numa viagem pela Cisjordânia de cerca de 2 horas foi possível ver a pobreza e as muitas casas abandonadas ou em construção mas com obras paradas. A paróquia de S. Justino (dedicada a este santo que fora filósofo em Roma e depois se converteu e morreu mártir mas que terá nascido ali mesmo em Nablus) é uma pequena comunidade que já foi muito maior, tendo chegado a ter duas igrejas, mas que devido à falta de paz, havendo cada vez mais cristãos a saírem de lá, ou impedidos de ali viverem, vai ficando mais pequena. Mas os que estão mostram uma vitalidade. São palestinianos de alma e coração, cristãos cujas memórias remontam ao tempo de Jesus. São aqueles que sempre estiveram naquela terra. Uma paróquia viva, com escuteiros e acólitos, com catequese, com um comunidade de irmãos de caridade que ajudam os pobres e idosos, com um pároco, ordenado há pouco mais de uma ano, cheio de entusiasmo. Foi impressionante a conversa com este sacerdote, um homem de fé e por isso de esperança, mas, com muito realismo, não esconde as suas preocupações e considera que a situação está longe de estar calma (...)”

Saboreei cada uma destas palavras, mas estarão a pensar a que título é que o título desta crónica comporta a palavra “títulos”! Ocorreu-me no início da semana passada, em que na comunicação social muito se falou da nomeação de um português, e nas glórias do mundo, para ocupar o cargo de vice-presidente do Banco Central Europeu. Afinal, quanto católicos portugueses sabem ou ouviram falar que o Padre Duarte da Cunha é o Secretário-Geral do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE)?
Já tratei dos títulos faltam-me os papéis! Considero o meu quarto e a Igreja dois locais com muita similitude! Em ambos me sinto bem, proporcionando a felicidade de poder abstrair-me, o que é muito diferente de fugir, dos “problemas do mundo”! Onde é que nesta frase entram os papéis? Se alguém deixar caído um papel no chão do meu quarto é natural que eu o apanhe e deite fora, o que me leva a “gritar” que não consigo perceber como se deixam tantos papéis, lenços, pastilhas e outro lixo na Casa de Deus? Posso e podemos involuntariamente a qualquer momento deixar lixo no chão numa Igreja sem nos apercebermos, mas não poderemos apanhar, não digo o de toda a Igreja, mas um simples papel que esteja junto ao local onde acabámos de fazer Eucaristia?

Para terminar, deixo mais duas “Sugestões para participar melhor na Missa”, retiradas de um artigo (S.D.L.) do jornal paroquial “Ecos” (n.º 147 de 16 de Maio de 2004):
8) Se sentes necessidade de tossir, tapa a tua boca com um lenço; e se te vais assoar fá-lo com o mínimo de ruído e em momento oportuno (não quando se proclamam as leituras ou se profere a homilia ou quando se está em silêncio): prejudicas-te a ti mesmo e aos outros.
9) Não sejas indiferente ao que se passa à tua volta, alguém que se sente mal, a uma criança que corre, a um idoso que não tem onde se sentar, a alguém que perturba a assembleia: tu és membro responsável desta família.

22 de fevereiro de 2010

Ano Sacerdotal - A Santa Missa (Boletim XVI)

A décima sexta contribuição para o boletim informativo da Paróquia de Nossa Senhora de Belém (Rio de Mouro), a newsletter n.º 91 relativa ao I Domingo da Quaresma.

Para não correr o risco de o Ano Sacerdotal passar sem o mencionar nestas crónicas, hoje quero referi-lo através de alguns apontamentos, que basicamente resultam de três cópias “soltas”.

“Não tem dúvidas em relação à fé e aos valores a respeitar. É de Santa Catarina esta afirmação: “... se me aparecesse um sacerdote e um anjo, eu faria uma reverência primeiro ao sacerdote e depois ao anjo (...). Mesmo que o sacerdote fosse um demónio encarnado, por seus pecados, não deixaria de o reverenciar pela sua grande dignidade.””
(retirado do livro “Eram como nós e melhoraram o mundo” de Maria Torres, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, Novembro de 2009, página 77)
Perante uma ideia tão cristalina de Santa Catarina de Sena, a nossa segunda Doutora da Igreja, proclamada a 4 de Outubro de 1970 pelo Papa Paulo VI, poucos dias depois de Santa Teresa de Jesus, não ouso acrescentar mais nada a esta frase da nossa irmã do século XIV que nem escrever sabia, razão pela qual as suas cartas foram ditadas, mas a quem o Senhor concedeu o dom da escrita, para escrever belos poemas místicos e compor música!

“– Havia aqui na paróquia um homem que morreu há poucos anos. Pela manhã, entrando na igreja para rezar as suas orações antes de ir para o campo, deixou os utensílios à porta e esqueceu-se de si mesmo diante de Deus. Um vizinho que trabalhava no mesmo lugar e que costumava vê-lo, estranhou a sua ausência. Voltando, resolveu entrar na igreja, julgando talvez encontrá-lo ali. De facto, encontrou-o. “Que fazes aqui tanto tempo?” perguntou-lhe. Ao que ele respondeu: “Olho para Deus e Deus olha para mim”.
A esta singela narração que gostava de repetir e que o fazia chorar cada vez, o Cura d’Ars acrescentava: “Ele olhava para Deus e Deus olhava para ele. Tudo consiste nisso, meus filhos”.”
(retirado do livro “O Cura d’Ars” de Francis Trochu, Edições Theologica, Braga 1987, página 215)
Como é que o São João Maria Baptista Vianney pode ser o Padroeiro oficial dos párocos? Esta pergunta conduziu-me a este livro e, apesar de ter “estagnado” há algum tempo à volta da página 400, e ainda me faltar um terço, a sua leitura tem sido reveladora, pelo que a recomendo vivamente. É-me difícil transpor para hoje o contexto e as convulsões do século XIX, mas o seu exemplo, humildade e amor ajudaram-me a descobrir uma resposta. Este episódio é tão só o que me surgiu ao abrir ao aleatoriamente o livro, muitos outros podia referir, mas perante tanta simplicidade e o enorme dom de chorar pelos irmãos, valeria a pena ir à procura de outro?

“Chegou o momento da comunhão dos celebrantes e voltei a notar a presença de todos os sacerdotes junto ao Monsenhor. Quando ele comungava, disse a Virgem:
“Este é o momento de pedir pelo celebrante e por todos os sacerdotes que o acompanham; repete Comigo: Senhor, bendizei-os, santificai-os, ajudai-os, purificai-os, amai-os, cuidai e sustentai-os com Vosso Amor.. Lembrai de todos os sacerdotes do mundo, rezai por todas as almas consagradas...”
Queridos irmãos, esse é o momento em que devemos pedir porque eles são Igreja, como também somos nós os leigos. Muitas vezes os leigos exigimos muito dos sacerdotes, mas somos incapazes de rezar por eles, de entender que são pessoas humanas, de compreender e avaliar a solidão que muitas vezes pode rodear um sacerdote.”
(do opúsculo “A Santa Missa – Testemunho de Catalina”, Missionária leiga do Coração Misericordioso de Jesus, Apostolado da Nova Evangelização, 2004, páginas 16 e 17, que pode ser obtido em: http://grandecruzada.leiame.net/ no separador “Os livros”)
Confesso que atendendo à sua proveniência (México, Brasil) fiquei de pé atrás, pois nós os europeus julgamo-nos muito mais esclarecidos na Fé que os povos do “novo” mundo, pensando que não estamos tão sujeitos às seitas; mas de quantos textos posso dizer que me deixaram alguma coisa no pensamento? Para além de que acreditar, ou não, que Nossa Senhora falou directamente à Irmã Catalina, em nada altera o fundamento da minha fé em Cristo.

Para terminar, deixo mais duas “Sugestões para participar melhor na Missa”, retiradas de um artigo (S.D.L.) do jornal paroquial “Ecos” (n.º 147 de 16 de Maio de 2004):
6) Se chegares antes da hora, poderás beneficiar duma preparação, especialmente no canto, que te ajudará a participar mais intensamente: as coisas boas costumam ter vésperas.
7) A missa dominical é uma celebração comunitária: não participes como se fosse um mero acto de piedade individual, mas une-te aos irmãos na oração, nos gestos, nas atitudes e no canto comuns. Não é preciso que toda a assembleia ouça a tua voz, basta que a ouça o teu vizinho – és membro de uma assembleia que louva a uma voz: que bela voz!...

1 de fevereiro de 2010

1/02/1970 (Boletim XV)

A décima quinta contribuição para o boletim informativo da Paróquia de Nossa Senhora de Belém (Rio de Mouro), a newsletter n.º 89 relativa ao V Domingo do Tempo Comum (PS: desta vez, antes do boletim ter sido divulgado!).

Penso que um dos princípios que um presumível cronista deve seguir é esforçar-se por escrever sobre assuntos que possam interessar a quem, eventualmente, irá ler as suas palavras. Não deverá escrever o que não é ou o que não sente, mas também deverá ter algum cuidado com os aspectos pessoais, que poderão não interessar às outras pessoas.
Acontece um pouco isso com esta data: 1 de Fevereiro de 1970. Foi há 40 anos e não vos dirá muito, alguns de vós ainda nem eram nascidos! Eu ainda nem 3 meses tinha e humanamente, como é natural, nada me recordo deste dia, que é a data do meu Baptismo. Nesse dia foram os meus Pais e Padrinhos que, por mim, assumiram o compromisso de viver em coerência com o dizer-me Cristão. Espero ter a lucidez e a alegria de conseguir prosseguir a minha caminhada dizendo, não um eu fui Baptizado em, mas sim um eu sou Baptizado desde 1/02/1970, acho que isso faz toda a diferença.
No dia seguinte, 2 de Fevereiro, festejamos um importante e profético momento da vida de Jesus, a Apresentação do Senhor (Festa). Tal como acontece com o Benedictus (o Cântico de Zacarias) e o Magnificat (o cântico de Maria), o Nunc dimittis (o Cântico de Simeão) pode acompanhar-nos todos os dias da nossa vida, pois este Cântico Evangélico faz parte da Oração de Completas (Cristo, luz das nações e glória de Israel).
Algumas palavras do Missal Popular, a propósito da Apresentação, que é a Epifania do quadragésimo dia após o Natal:
“Quarenta dias após o nascimento de Jesus, em obediência à lei de Moisés (Ex. 13, 11-13), Maria leva o Menino ao templo, a fim de ser oferecido ao Senhor. Toda a oferta implica renúncia. Por isso, a Apresentação do Senhor não é um mistério gozoso, mas doloroso. Começa, nesse dia, o mistério de sofrimento, que atingirá o seu ponto culminante no Calvário, quando Jesus, que não foi «poupado» pelo Pai, oferecer o Seu sangue como sinal da nova e eterna Aliança. Ao oferecer Jesus, Maria oferece-Se também com Ele. Durante toda a vida de Jesus, estará sempre ao lado do Filho, dando a Sua colaboração para a obra da Redenção.
O gesto de Maria, que «oferece», traduz-se em gesto litúrgico, quando ao celebramos a Eucaristia, oferecemos «os frutos da terra e do trabalho do homem», símbolo da nossa vida.
Antes da Missa, está prevista no Missal a procissão das velas, acesas em honra de Cristo que vem como luz das nações, e ao encontro de quem a Igreja caminha guiada já por essa mesma luz.”

Mas dois episódios recentes da minha vida de encontro com Deus, através dos meus irmãos:
O primeiro de colocar nas mãos do Senhor todas as minhas acções, quer as mais nobres, quer as mais tristes, pois é o que tenho de mais valioso para Lhe oferecer em cada ofertório Eucarístico. Há uma semana o desalento por uma sessão de catequese que correu não muito bem, e o seu tema era a Paz! Uma semana depois a enorme alegria, embora os meus méritos tenham sido mínimos, pela magnífica (longa) leitura que o jovem João Pedro fez do Cântico do amor, senti-me tocado e agradecido.
O segundo advém de um resumo de uma notícia do «Semanário Sol», que li na edição do «Destak» de 29 de Janeiro, intitulada “Crise de vocações esvazia conventos” (número de freiras baixou consideravelmente), no qual é referido que entre 2002 e 2008 houve uma redução de 2.500 freiras e que, segundo dados da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal, em 2008, havia 5.417 irmãs, distribuídas por 652 comunidades, enquanto que em 2002 existiam 7.995 freiras, integradas em 795 conventos.
Quando cheguei a casa, para alguns será apenas coincidência, tinha à espera uma carta da Irmã Susana Maria, do Carmelo de Santa Teresa de Coimbra. Nunca vi a Irmã a Susana, mas há cerca de dois anos e meio as palavras apaixonadas de uma colega de trabalho, sobre a sua sobrinha que, contra todas as expectativas do mundo, apesar da sua formação superior de enfermeira, da carreira profissional, beleza e juventude, resolve “abandonar” tudo e ingressar num convento de clausura... e rezar por todos nós. No Natal seguinte, um porque não enviar-lhe um postal de Natal? Esta é a segunda carta que recebo dela, como é natural as suas palavras são valiosas de mais para poder partilhá-las neste espaço, mas podes ter a certeza que, tendo iniciado o último ano antes da Consagração Solene (perpétua), procurarei responder à pergunta que me lanças: “Reze por mim, sim?”

Para terminar, deixo mais duas “Sugestões para participar melhor na Missa”, retiradas de um artigo (S.D.L.) do jornal paroquial “Ecos” (n.º 147 de 16 de Maio de 2004):
4) Ocupa um lugar livre, começando pela frente: uma comunidade reunida que se coloca à distância não parece uma assembleia unida na fé e no amor ao Senhor.
5) Concentra-te um pouco e repara no ambiente que foi especialmente preparado para aquela celebração: antegoza a maravilha dessa reunião da família de Deus (como é bom e agradável reunirem-se os irmãos...)

30 de janeiro de 2010

Liturgia das Horas - Não se consegue amar o que não se conhece! (Boletim XIV)

A décima quarta contribuição para o boletim informativo da Paróquia de Nossa Senhora de Belém (Rio de Mouro), a newsletter n.º 88 relativa ao IV Domingo do Tempo Comum.

Tenho a ideia que para a maioria dos católicos a Liturgia das Horas é sinónimo de algo antiquado. Afinal, no nosso mundo citadino, cheio de solicitações e barulho, há muito que deixámos de ouvir as badaladas dos sinos das Igrejas que, quanto mais não fosse, nos “obrigariam”, mesmo que por breves momentos, a escutar e a parar.
Recordo um pequeníssimo episódio a que assisti no aeroporto de Barajas (Madrid). Foi no decorrer de uma escala de um voo para a Terra Santa, ao fim da noite, logo o aeroporto apresentava-se calmo e só os restaurantes ainda se encontravam abertos. Apesar desta “calma”, muitos passageiros circulavam ainda pelos corredores. No meio deste cenário avisto um muçulmano, virado para Meca, reparando que o natural barulho ambiente não o perturbava, nem os olhares de quem passava. No chão um jornal aberto servia de tapete, e fazia as Orações que sua religião lhe determina, afinal agradecer a Deus nunca é um tempo perdido. Será que eu não aprendi nada com este pequeno instantâneo de Fé?
Confesso que até há pouco tempo nem sabia como se rezava a Liturgia das Horas. É algo que nunca ninguém me ensinou e é algo que eu ainda não sei como, e se, tentarei passar para os adolescentes da catequese. Comecei a aprender o seu significado e riqueza, e já agora o seu “funcionamento”, no decorrer da Formação de Animadores do Departamento da Juventude do Patriarcado de Lisboa, através dos três encontros anuais que frequentei ao longo de três anos. As Laudes, as Vésperas e, se não estou em erro, as Completas, fizeram sempre parte daqueles períodos entre sexta-feira à noite e Domingo à tarde, com especial sabor no comprido e “exclusivo” sábado, em que beneficiávamos de uma relativa ausência do mundo! Para quem está a começar, as regras das Orações da Horas são difíceis de compreender e, se não tivermos ninguém que nos as explique, parece que nunca chegaremos a compreendê-las ou pelo menos a saber em que página devemos abrir o livro.
Depois de obtido o gosto de as rezar nos encontros de formação de animadores, bem como no Tríduo Pascal, ou na Sé de Lisboa depois das catequeses quaresmais do Patriarca, aqui musicadas, já só faltava o começo, que quase sempre é o mais difícil. Para mim, este aconteceu realmente no decorrer das últimas férias; umas férias que exteriormente poderão ser consideradas vazias de atractivos, afinal praticamente não saí de Rio de Mouro! Mas que me permitiram assistir (fazer) a quase todas as Eucaristia das 9h30m, nas quais se rezam os 3 salmos das Laudes e o Benedictus. Este, sem descurar o antecedente referido, foi o momento em que resolvi abrir as assas!
Se calhar, na minha Oração individual, embora em comunhão com toda a Igreja, não respeitarei todas as regras litúrgicas desta Oração comunitária! Se calhar, nas Laudes das 7h da manhã ainda não estou totalmente acordado! Se calhar, em muitos dias rezo as Vésperas e as Completas seguidas apenas ao fim do dia! Se calhar, muitas vezes, rezo-as muito rapidamente! Se calhar, como aconteceu no último Domingo, não é muito próprio rezar as Laudes às 14h e as Vésperas às 22h! Se calhar...
Gosto de sentir o ritmo das quatro semanas, “tocar” as Solenidades e os dias festivos ou as memórias. Poder dizer Aleluia fora do Tempo Pascal!
Não sei se alguma vez tornarei regular o Invitatório, o Ofício de Leitura (nas épocas próprias) ou as Horas Intermédias (Tércia, Sexta e Noa), mas, apesar de a riqueza estar no conjunto, aprecio sobremaneira as palavras dos Hinos iniciais, em especial os poucos que aprendi a cantar, como os Hinos das Completas de Domingo depois das Vésperas II e de quinta-feira, este graças às Orações comunitárias com cânticos de Taizé. Há muito pouco tempo descobri o autor do “Luz terna, suave, no meio da noite \ Leva-me mais longe...” (Cardeal John Henry Newman), e cheguei à conclusão que só quem amou muito poderá ter escrito palavras tão belas.
Muitas coisas poderia ainda escrever sobre a (minha) Liturgia das Horas, mas opto por apresentar algumas palavras de encorajamento que recebi logo no início deste meu curto percurso de 6 meses:
“Gostei de saber que começas a rezar o Ofício Divino, é bom.
Nos Salmos vamos encontrar tudo o que desejamos dizer ao Nosso Deus. Oração de súplica, Acção de Graças, de Louvor, etc... Na Oração feita por meio do «Saltério das horas», rezamos todos juntos no mesmo dia os mesmos Salmos, o que é uma riqueza, e seguimos o ritmo da Igreja Universal.
Pois bem, se num dia não podes rezar os três reza só um. O importante não é a quantidade, mas a qualidade.
Eu gosto de rezar os Salmos saboreando-os, muito devagar. Parar quando alguma frase me diz alguma coisa, ou me chamou a atenção, então paro aí por alguns segundos e repito várias vezes essa frase...”

Para terminar, deixo mais duas “Sugestões para participar melhor na Missa”, retiradas de um artigo (S.D.L.) do jornal paroquial “Ecos” (n.º 147 de 16 de Maio de 2004):
2) O dia do senhor é um dia festivo: isso deve manifestar-se, também, no modo como te vestes (quando és convidado para uma festa, não minimizas a tua “toilette”). Em todo o caso, não te equivoques: não vais para a praia ou praticar desporto...
3) Sê pontual: se chegas quando a celebração já começou, vais, de algum modo, perturbar ou distrair os outros, além de que o Senhor que te convida é a pessoa mais importante e amorosa que jamais existiu.

17 de janeiro de 2010

Jornais - "Voz da Verdade" e "O Gaiato" (Boletim XIII)

A décima terceira contribuição para o boletim informativo da Paróquia de Nossa Senhora de Belém (Rio de Mouro), a newsletter n.º 86 relativa ao II Domingo do Tempo Comum.

Há cerca de um ano o Padre Edgar Clara terminava com estas palavras o seu editorial no jornal “Voz de Verdade” (edição n.º 3.876, ano LXXVI, de 21 de Dezembro de 2008):
“Em quarto lugar, está a aposta clara que as paróquias devem fazer na comunicação. Estando na era da comunicação, não apostar nos novos meios de comunicação é um erro claro. Estamos a criar um “produto” que poderá interessar a todos. Haverá muitos que não podem ser voluntários? Sim... Mas por que não participar na campanha de Natal e oferecer a um amigo uma assinatura do jornal? Por que não fazer-se benemérito? São muitas as formas de se voluntariar. Teremos de trabalhar muito para que o nosso jornal possa ser mais conhecido dos cristãos. A paróquia de Nossa Senhora do Amparo em Benfica distribui todas as semanas 350 exemplares... por que não alastrar este entusiasmo a todas as paróquias?”
Na altura pensei em dar uma cópia do editorial ao Padre Carlos, mas pouco depois foi com surpresa e alegria que constatei que a nossa paróquia decidiu distribuir o jornal durante o último ano. Conforme afirmou o Padre Carlos no final da celebração Eucarística da Festa do Baptismo do Senhor, acho que não ficaria mesmo nada mal que, todos os que tivessem essa possibilidade (são 20 euros anuais), naturalmente desde que habitualmente leiam o seu conteúdo, se tornassem assinantes da “Voz da Verdade”.
Confesso que, apesar de na altura ter menos textos, preferia o formato anterior a 2009, uma revista também de 16 páginas. Mas tenho lido com muito agrado as entrevistas e histórias de vida missionária que o Padre Tony Neves nos tem apresentando, algumas das quais nos permitiram conhecer melhor os participantes da nossa semana missionaria de Novembro de 2008. Para além de algumas entrevistas, quero destacar a coluna da Aura Miguel (A uma janela de Roma) e os artigos de opinião no final do jornal.

O outro jornal que quero referir é “O Famoso”, nome por que é conhecido “O Gaiato”. Sou assinante desde um espectáculo dos Gaiatos de Lisboa (Tojal) a que assisti em 1998 no nosso auditório, e tenho apreendido muitas coisas com a sua leitura quinzenal, nomeadamente o sentido da humildade. Tenho uma predilecção especial pelas crónicas do Padre Telmo, a partir da Casa do Gaiato de Malanje, e pelas histórias do Calvário. A última edição, datada de 2 de Janeiro de 2010 (n.º 1.717, ano LXVI), traz o estatuto editorial e algumas palavras sobre a campanha de assinaturas:
“De dentro da família e para além dela, nós queremos Leitores verdadeiramente novos, em idade e em capacidade de interesse que, em exercício de pura liberdade, assumam o compromisso do preço essencial da assinatura do Jornal: lê-lo. De resto, bem desejámos guardar fidelidade à ordem de Pai Américo: «Não sejam solícitos em pôr a preço os jornais ou edições que saem dos nossos prelos. É melhor deixar tudo à generosidade espontânea de cada um.»
Assim vivemos largas dezenas de anos desde 5 de Março de 1944, data do nascimento d’O GAIATO, respondendo a quem nos perguntava qual o custo do Jornal: – Não tem preço. Agora não. Nas «amplas liberdades» que nos são oferecidas, não temos nós licença de oferecer uma assinatura, nem sequer permutar o nosso Jornal com outro. A fiscalização não deixa; e ameaça: «São oito euros e meio por ano... e quer-se tudo em dia». Uma tristeza de Estado só acompanhada pelas constantes alegrias do Povo!”
Para quem queira tornar-se assinante, e posso assegurar-vos que crescerão com a sua leitura, que geograficamente até compreende as Casas do Gaiato de Angola (Malanje e Benguela) e Moçambique (Maputo), é só enviar o pagamento da assinatura acompanhado do nome, morada e número de contribuinte para: Casa do Gaiato do Porto, Mosteiro, 4560 – 373 Paço de Sousa.

Para terminar, deixo a primeira das “Sugestões para participar melhor na Missa”, retiradas de um artigo (S.D.L.) do jornal paroquial “Ecos” (n.º 147 de 16 de Maio de 2004):
1) Ao ires de casa para a igreja, “prepara o teu coração”: vais celebrar a fé e encontrar-te com o Senhor e com os irmãos.

14 de janeiro de 2010

Luz terna, suave... (Cardeal Newman)

Luz terna, suave, no meio da noite,
Leva-me mais longe...

Foi com uma enorme surpresa e alegria que, na Escola de Leigos na Paróquia da Amadora, ao receber a Oração final escolhida pela Filomena Andrade, que tem acompanhado o período da História da Igreja que abordamos em cada sessão, constatei que este belíssimo hino, das completas de 5.ª-feira, foi escrito, melhor foi Rezado pelo Cardeal Henry Newman. Confesso que tenho muita dificuldade em ler esta Oração, afinal para mim ela, como qualquer hino, é muito mais bonita se for cantada, e como as Orações mensais de Completas com cânticos de Taizé na Paróquia de Rio de Mouro têm sido sempre às quintas-feiras, já sei a sua música de cor, apesar de eu não ser um grande cantor, bem vistas as coisas, nem pequeno!!!!

Fiquei contente por saber o autor, em co-autoria com a iluminação do Espírito Santo, deste hino que, conjuntamente com o hino das Completas depois das Vésperas II dos Domingos e Solenidades (Se me envolve a noite escura...), para mim são os mais belos da Liturgia das Horas.

Para enquadramento, aqui deixo as palavras que a Mena escolheu para "situar" o Cardeal Henry Newman (1801-1890): "Padre Anglicano que se propunha renovar uma igreja entorpecida na submissão ao poder (1833). O estudo dos Padres da Igreja levam-no a interrogar-se sobre os fundamentos do anglicanismo e, no fim da sua reflexão, torna-se católico (1845)."

E, também sugerido pela Mena há uns meses, a ligação para o discurso do Cardeal Joseph Ratzinger no centenário da morte do Cardeal John Henry Newman (28 de Abril de 1990):