3 de abril de 2010

Mãos que socorrem (Simão de Cirene)

O Tríduo Pascal é um período tão rico e gratificante que nunca encontraria as palavras para exprimir o que tenho vivido.

Algumas palavras sobre o dia de ontem. Ao jantar, pronto não vivi o verdadeiro jejum católico, mas se tiver existido alguém prejudicado, sem dúvida, serei eu!, no Telejornal uma pequena reportagem sobre a Via-Sacra pelas ruas, para dizer a verdade, é melhor escrever ruelas da cidade velha de Jerusalém, completamente apinhadas, pois este ano até existe coincidência da Páscoa nos calendários dos católicos e dos ortodoxos! Tendo tido a graça de por lá passar em Novembro de 2008, foi com alegria que reconheci o local da V Estação, um dos episódios que mais me comove: Na Via-Sacra paroquial um convite Dele, através do João Serra, queres participar na 5.ª Estação? Como um dos companheiros, um peregrino de Jerusalém, que faz hoje precisamente dois anos viveu um momento de dor extrema. Apesar de não ter autoridade para escrevê-lo, penso que só no Amor de Deus poderemos encontrar o sentido da Vida, sendo que este é indissociável da Morte! Ao carregar a Cruz, e perante a dor do meu Irmão, senti que acompanhava Jesus. Gostava de considerar-me o Cireneu, mas se calhar estarei muito mais perto da multidão que zombava de Cristo?!?

Ao pegar numa das inúmeras Vias-Sacra, para escrever esta entrada, saíu-me "As Minhas mãos feridas", de Renzo Sala (Paulus, 2007); na V Estação (Jesus é ajudado por Simão de Sirene) uma reflexão do Padre David Turoldo:
Jesus quis necessitar da ajuda de um homem para poder prosseguir o seu caminho. Naquele lento caminhar ao lado d'aquele Homem, Simão recebeu daquele rosto, sereno na sua dor, um olhar de silenciosa gratidão que o transformou profundamente. O nosso Deus quer precisar da nossa ajuda. Não é fácil conhecer concretamente: como dar; como pôr as nossas vidas as serviço daqueles que precisam de nós; como descobrir a experiência profunda de Simão de Cirene.

18 de março de 2010

Sacerdotes em Cristo (Boletim XIX)

A décima nona contribuição para o boletim informativo da Paróquia de Nossa Senhora de Belém (Rio de Mouro), a newsletter n.º 95 relativa ao V Domingo da Quaresma.

Ainda e sempre o Ano Sacerdotal. Desta vez através de um livro da Paulus Editora, com o apoio da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, pelo que parte das vendas será revertida em doação para os projectos da fundação: “Sacerdotes em Cristo (12 testemunhos de um chamamento)”.
O livro abre com um artigo histórico do Padre Senra Coelho intitulado “O sacerdócio ministerial ao longo da História”. Depois sucedem-se 12 testemunhos, que se iniciam com os sentimentos de D. Manuel Clemente (Trinta anos de sacerdócio, já e apenas), passando pelo Padre José Miguel Barata Pereira (Servimos este mundo semeando em cada um a vida divina), com quem há bem pouco tempo tivemos oportunidade de privar no decorrer da semana vocacional XPTO, ou pelo Padre Tony Neves (Sacerdócio missionário).
Apesar de todos falarem da mesma realidade, em cada um destes 12 testemunhos de cerca de 8 páginas não existe um testemunho repetido, algo que possamos dizer mas eu já li isto.
Poderia referir vários aspectos de cada um dos testemunhos, em especial o momento em que sentiram o seu chamamento, ou como o sentiram, nalguns casos em plena infância, mas, para além de recomendar a leitura deste livro, deixo algumas palavras do Padre Júlio Grangeia, que humildemente intitulou o seu testemunho de “Queria ser importante... Mas o importante era (é) não ser... “importante”!”. O Padre Júlio nasceu no ano de 1958 em Vale de Ílhavo, sendo que a sua participação no livro resulta em grande parte de em 1997 se ter tornado no primeiro padre português a utilizar a Internet como meio de Evangelização, criando um sítio na web, para apoio das suas actividades paroquiais e pastorais.
Os pontos do seu testemunho seguem as seguintes referências:
Fui baptizado à pressa, em casa, pela minha tia...
Os pecados na confissão...
O “balde de água fria”: a Matemática!
O grande sinal de Deus: o “chumbo” no 8.º ano...
Queria ser importante... Mas o importante é não ser “importante”!
Padre anunciador da Boa-Nova aos de longe e aos de... perto!
A importância da “embalagem”!
Padre – o homem que é feliz e que aponta para a Felicidade!

Algumas palavras do ponto “importante!”: “Não me recordo de ter brincado às missas com bolachas, mas o que me lembro bem é que queria ser padre para ser... importante!
(...) Ainda não tinha percebido que a importância do padre não está na “importância” que este adopta, mas na simplicidade que assume! Como pode o padre chegar a todos a não ser pela simplicidade?! (...)”.
Bem como as últimas palavra do testemunho: “O padre é, pois, alguém realizado e feliz porque sabe em quem confia e é também profeta da esperança... porque aponta o caminho:
Para a felicidade plena...
Para Jesus Cristo...
Para Deus...
Para o AMOR!
http://www.padrejulio.net/

Para terminar, deixo mais duas “Sugestões para participar melhor na Missa”, retiradas de um artigo (S.D.L.) do jornal paroquial “Ecos” (n.º 147 de 16 de Maio de 2004):
12) Não repitas as palavras do sacerdote, mas ouve-as com atenção (e em tensão), manifestando a tua adesão mediante as aclamações.
13) Quando saúdas os irmãos na paz de Cristo, não precisas de cumprimentar todas as pessoas da igreja: sendo assim tão rigoroso, deverias cumprimentar todos os homens. Saúda o teu vizinho, com um coração aberto a todos, filhos de Deus, reunidos por Cristo.

14 de março de 2010

Retiros - formação de animadores (Boletim XVIII)

A décima oitava contribuição para o boletim informativo da Paróquia de Nossa Senhora de Belém (Rio de Mouro), a newsletter n.º 94 relativa ao IV Domingo da Quaresma.

Por vezes o tempo não abunda, embora quando o tenho, normalmente, até acabe por desperdiçá-lo! Vem isto a propósito de um texto que escrevi, um bocado a correr e a pedido da Ausenda, uma das empenhadas colegas da formação de animadores do Departamento da Juventude do Patriarcado de Lisboa, para servir de testemunho, e em princípio para transmitir ou escrever aos formadores, no encontro de Julho de 2009, o último dos 9 encontros que tivemos ao longo de 3 anos. Como o tempo da Quaresma é propício a retiros, e sendo este um dos temas do meu testemunho, optei por 8 meses depois me socorrer dele. Apesar de o texto conter algumas referências pessoais, que é algo a que um suposto cronista tem alguma dificuldade de não recorrer, embora neste caso até mencione outras pessoas, aqui o deixo:

O que foi/é para mim a Formação de Animadores?
Desde logo foi ter dito SIM, quando tantas vezes procuro encontrar os talvez, porque, mas, e se... ainda para mais sendo algo que Deus me colocou no caminho sem eu pedir ou estar à espera (as maiores experiências nascem muitas vezes de surpresas; e Deus tem uma capacidade incomensurável de nos surpreender).
Apesar dos formadores talvez não gostarem do que vou dizer, as formações para mim foram autênticos dias de retiro, talvez porque não tenha tido oportunidade de os fazer/viver na altura oportuna. Além disso tive(mos) a sorte de começar pela Casa de Retiros do Bom Pastor, na qual a capela é no “meio” dos quartos, ou seja, é possível adormecer, literalmente, junto a Ele. Acontece um bocado isto no (pré-)Seminário de Nossa Senhora da Graça, embora, se não formos silenciosos, possamos acordar meio seminário!!!
É sentir que cresci, como cristão e, sobretudo, algo que lhe está intimamente ligado, como pessoa. E se calhar ser o animador que menos aplicou as técnicas que nos procuraram transmitir, como “bom” preguiçoso que sou, mas esperar que a semente cá tenha ficado e/ou ajudar a florescer alguém, embora para isso conte também com a preciosa ajuda do Espírito Santo.
É ter-me aproximado da Liturgia das Horas e, talvez, ter começado a compreender o seu “sentido”, dado que só se pode amar o que se conhece… “Se me envolve a noite escura e caminho sobre abismos de amargura, nada temo…”
É ter presenciado um brilho permanente nos olhos do Padre Filipe, e vou lembrar-me sempre da Reconciliação que me “conduziu” à Confirmação, e os exemplos de vida dos animadores: a serenidade e sabedoria da Mena (para mais, sendo a história dos assuntos que mais gosto), a alegria e voz da Rosarinho (não a consigo imaginar, muito séria, no Tribunal, sorry!!!), a alegria e, sobretudo o exemplo de família cristã que o Manel, a Ana e o Manelito nos proporcionaram, e sentir uma certa tristeza pelo Manel Coelho não ter podido nos acompanhar até ao fim. É sentir alguma tristeza por nem todos os que partiram terem chegado ao fim, mas confiar que ainda nos encontraremos nos caminhos desta vida, e agradecer todas as pessoas que Deus nos colocou no caminho, como um irmão italiano que tivemos por companhia no primeiro ou segundo encontro, desde o Padre Carlos Gonçalves (no primeiro encontro), os Padres e seminaristas de Penafirme, a Dona Aldemira (de quem só conheço a voz e por e-mails), as duas “visitas” que tivemos do outro grupo, quer a Cristina quer a Elisa (espero não me esquecer de ninguém).

Termino com as palavras que alguém escreveu no 3.º encontro do 1.º ano, no verso de uma cartolina que tem a seguinte frase “Jesus, fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele.” Mc 10, 21:
“Na minha vida, sinto-me fitada por Jesus. E sinto necessidade de corresponder a esse olhar. Na minha oração pessoal, na minha vivência, na Eucaristia busco a forma melhor de corresponder a esse olhar. Sinto-me interpelada a mostrar também esse olhar a outros.”

Está tudo, embora, bem vistas as coisas, isto é algo que nunca poderemos ou conseguiremos dizer ou fazer. Acabei por “transformar” um texto que me fez estar acordado até bastante tarde, e que acabou por ter estado adormecido tanto tempo, num pequeno testemunho público, se fiz bem...

Para terminar, deixo mais duas “Sugestões para participar melhor na Missa”, retiradas de um artigo (S.D.L.) do jornal paroquial “Ecos” (n.º 147 de 16 de Maio de 2004):
10) Se não és surdo, não precisas de acompanhar a missa pelo missal (o missal popular é muito útil para preparares, em casa, a tua participação): a palavra que ouves é uma Palavra viva, transmitida pelo ministério do leitor.
11) Leva já preparada a tua oferta escusando deteres quem recolhe as ofertas ou dares espectáculo, rebuscando os bolsos, procurando a carteira ou fazendo trocos: a tua oferta faz parte da tua participação, se foi preparada, tornar-se-á mais consciente.

7 de março de 2010

Crianças (AE)

Por vezes o tempo não abunda, embora quando o tenho, normalmente, até acabe por desperdiçá-lo! Como tenho escrito pouca coisa no blogue, hoje opto por copiar, sem mais comentários (e isso seria preciso?!?), uma pequena frase que li no "Destak" de 4 de Março:
«A palavra "progresso" não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes»
Albert Einstein, físico alemão (1879-1955)

28 de fevereiro de 2010

Apresentação... de um Anjo!

Quase um mês depois deste pequeno acontecimento, que me encheu o coração, apesar de felizmente a vida não parar, não queria deixar de referi-lo.
Ocorreu em 2 de Fevereiro, dia da Festa da Apresentação do Senhor (40 dias depois do Natal), também conhecido por festa das velas, da Candelária ou da Purificação de Maria.
Gosto de sentir de perto alguma religiosidade popular, que, atendendo ao envelhecimento da população, se nota muito bem em Lisboa, por exemplo com a veneração a Santa Rita de Cássia. Quando faço Eucaristia durante a semana, normalmente opto pela pequena, que com pouco mais de 30 fiéis fica cheia, acolhedora e bonita Igreja de Nossa Senhora da Oliveira (13h10m). Para quem não a conhece, um belo desporto é tentar encontrá-la na rua de São Julião (PS: a solução é n.º 140).
Este ano resolvi ir à Eucaristia da festa na Basílica dos Mártires (13h20m), ou seja, troquei a baixa da Baixa pela alta da Baixa! Ao contrário do que acontece na Senhora da Oliveira, em que o Padre benze as velas acesas no início da celebração, nos Mártires elas são benzidas apagadas no fim, sendo os fiéis convidados depois a irem buscar a sua vela. Imbuído da calma própria do local, lá fui buscar a minha vela... mas como já não havia (e nem é preciso explicar a causa!), vim embora, e se por vezes nos acontece ficarmos chateados com o que não conseguimos "apanhar" da vida, desta vez isso não me aconteceu, pelo que todo contente da vida decidi vir embora (com a moeda na mão!). O que eu não estava à espera, e é incrível as vezes que Deus nos faz isso, é que me aparecesse um Anjo à frente, que desta fez se chamou Teresa, e que me ofereceu, apesar da minha ténue oposição, a sua vela. E assim, este insignificante episódio, termina com o meu regresso ao trabalho (é sempre a descer, até junto ao rio...), a meditar na beleza e na irracionalidade de alguma religiosidade popular, nos Anjos e... como afinal tinha uma moeda na mão, ainda "ganhei" um calendário da Basílica dos Mártires e da Igreja do Santíssimo Sacramento (esta parte da frase não vou explicar!!!), onde curiosamente passei a última passagem de ano!
Que a luz de Cristo, que esta festa das velas recorda, alumie os nossos passos, quer na vida quer na morte.

27 de fevereiro de 2010

Títulos e papéis (Boletim XVII)

A décima sétima contribuição para o boletim informativo da Paróquia de Nossa Senhora de Belém (Rio de Mouro), a newsletter n.º 92 relativa ao II Domingo da Quaresma.

Por vezes algumas palavras tocam-nos sobremaneira, foi o que me aconteceu com o artigo do Padre Duarte da Cunha publicado na “Voz da Verdade” da semana passada, intitulado “Os Cristãos na Terra Santa, e a solidariedade de todos os outros cristãos”.
Embora com muito menos sabedoria e ciência, lembrei-me de uma frase que escrevi numa crónica em Novembro, a propósito de uma peregrinação à Terra Santa:
Uma mágoa, afinal também lá peregrinei como turista, foi não ter conseguido, e se calhar não fiz tudo o que podia, fazer Eucaristia com os irmãos da Terra Santa; até posso contribuir no ofertório de 6.ª-feira Santa para eles, mas ter estado lá e não os “abraçar” é uma tristeza que guardo!

Para enquadramento, aqui copio e deixo algumas frases da primeira parte da crónica do Padre Duarte da Cunha: “(...) No dia 10 dividimo-nos em grupos de três ou quatro para participar na Missa de Domingo de uma paróquia. Fui a Nablus (antiga Siquém onde está o Poço de Jacob diante do qual o Senhor se encontrou com a Samaritana), numa viagem pela Cisjordânia de cerca de 2 horas foi possível ver a pobreza e as muitas casas abandonadas ou em construção mas com obras paradas. A paróquia de S. Justino (dedicada a este santo que fora filósofo em Roma e depois se converteu e morreu mártir mas que terá nascido ali mesmo em Nablus) é uma pequena comunidade que já foi muito maior, tendo chegado a ter duas igrejas, mas que devido à falta de paz, havendo cada vez mais cristãos a saírem de lá, ou impedidos de ali viverem, vai ficando mais pequena. Mas os que estão mostram uma vitalidade. São palestinianos de alma e coração, cristãos cujas memórias remontam ao tempo de Jesus. São aqueles que sempre estiveram naquela terra. Uma paróquia viva, com escuteiros e acólitos, com catequese, com um comunidade de irmãos de caridade que ajudam os pobres e idosos, com um pároco, ordenado há pouco mais de uma ano, cheio de entusiasmo. Foi impressionante a conversa com este sacerdote, um homem de fé e por isso de esperança, mas, com muito realismo, não esconde as suas preocupações e considera que a situação está longe de estar calma (...)”

Saboreei cada uma destas palavras, mas estarão a pensar a que título é que o título desta crónica comporta a palavra “títulos”! Ocorreu-me no início da semana passada, em que na comunicação social muito se falou da nomeação de um português, e nas glórias do mundo, para ocupar o cargo de vice-presidente do Banco Central Europeu. Afinal, quanto católicos portugueses sabem ou ouviram falar que o Padre Duarte da Cunha é o Secretário-Geral do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE)?
Já tratei dos títulos faltam-me os papéis! Considero o meu quarto e a Igreja dois locais com muita similitude! Em ambos me sinto bem, proporcionando a felicidade de poder abstrair-me, o que é muito diferente de fugir, dos “problemas do mundo”! Onde é que nesta frase entram os papéis? Se alguém deixar caído um papel no chão do meu quarto é natural que eu o apanhe e deite fora, o que me leva a “gritar” que não consigo perceber como se deixam tantos papéis, lenços, pastilhas e outro lixo na Casa de Deus? Posso e podemos involuntariamente a qualquer momento deixar lixo no chão numa Igreja sem nos apercebermos, mas não poderemos apanhar, não digo o de toda a Igreja, mas um simples papel que esteja junto ao local onde acabámos de fazer Eucaristia?

Para terminar, deixo mais duas “Sugestões para participar melhor na Missa”, retiradas de um artigo (S.D.L.) do jornal paroquial “Ecos” (n.º 147 de 16 de Maio de 2004):
8) Se sentes necessidade de tossir, tapa a tua boca com um lenço; e se te vais assoar fá-lo com o mínimo de ruído e em momento oportuno (não quando se proclamam as leituras ou se profere a homilia ou quando se está em silêncio): prejudicas-te a ti mesmo e aos outros.
9) Não sejas indiferente ao que se passa à tua volta, alguém que se sente mal, a uma criança que corre, a um idoso que não tem onde se sentar, a alguém que perturba a assembleia: tu és membro responsável desta família.

22 de fevereiro de 2010

Ano Sacerdotal - A Santa Missa (Boletim XVI)

A décima sexta contribuição para o boletim informativo da Paróquia de Nossa Senhora de Belém (Rio de Mouro), a newsletter n.º 91 relativa ao I Domingo da Quaresma.

Para não correr o risco de o Ano Sacerdotal passar sem o mencionar nestas crónicas, hoje quero referi-lo através de alguns apontamentos, que basicamente resultam de três cópias “soltas”.

“Não tem dúvidas em relação à fé e aos valores a respeitar. É de Santa Catarina esta afirmação: “... se me aparecesse um sacerdote e um anjo, eu faria uma reverência primeiro ao sacerdote e depois ao anjo (...). Mesmo que o sacerdote fosse um demónio encarnado, por seus pecados, não deixaria de o reverenciar pela sua grande dignidade.””
(retirado do livro “Eram como nós e melhoraram o mundo” de Maria Torres, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, Novembro de 2009, página 77)
Perante uma ideia tão cristalina de Santa Catarina de Sena, a nossa segunda Doutora da Igreja, proclamada a 4 de Outubro de 1970 pelo Papa Paulo VI, poucos dias depois de Santa Teresa de Jesus, não ouso acrescentar mais nada a esta frase da nossa irmã do século XIV que nem escrever sabia, razão pela qual as suas cartas foram ditadas, mas a quem o Senhor concedeu o dom da escrita, para escrever belos poemas místicos e compor música!

“– Havia aqui na paróquia um homem que morreu há poucos anos. Pela manhã, entrando na igreja para rezar as suas orações antes de ir para o campo, deixou os utensílios à porta e esqueceu-se de si mesmo diante de Deus. Um vizinho que trabalhava no mesmo lugar e que costumava vê-lo, estranhou a sua ausência. Voltando, resolveu entrar na igreja, julgando talvez encontrá-lo ali. De facto, encontrou-o. “Que fazes aqui tanto tempo?” perguntou-lhe. Ao que ele respondeu: “Olho para Deus e Deus olha para mim”.
A esta singela narração que gostava de repetir e que o fazia chorar cada vez, o Cura d’Ars acrescentava: “Ele olhava para Deus e Deus olhava para ele. Tudo consiste nisso, meus filhos”.”
(retirado do livro “O Cura d’Ars” de Francis Trochu, Edições Theologica, Braga 1987, página 215)
Como é que o São João Maria Baptista Vianney pode ser o Padroeiro oficial dos párocos? Esta pergunta conduziu-me a este livro e, apesar de ter “estagnado” há algum tempo à volta da página 400, e ainda me faltar um terço, a sua leitura tem sido reveladora, pelo que a recomendo vivamente. É-me difícil transpor para hoje o contexto e as convulsões do século XIX, mas o seu exemplo, humildade e amor ajudaram-me a descobrir uma resposta. Este episódio é tão só o que me surgiu ao abrir ao aleatoriamente o livro, muitos outros podia referir, mas perante tanta simplicidade e o enorme dom de chorar pelos irmãos, valeria a pena ir à procura de outro?

“Chegou o momento da comunhão dos celebrantes e voltei a notar a presença de todos os sacerdotes junto ao Monsenhor. Quando ele comungava, disse a Virgem:
“Este é o momento de pedir pelo celebrante e por todos os sacerdotes que o acompanham; repete Comigo: Senhor, bendizei-os, santificai-os, ajudai-os, purificai-os, amai-os, cuidai e sustentai-os com Vosso Amor.. Lembrai de todos os sacerdotes do mundo, rezai por todas as almas consagradas...”
Queridos irmãos, esse é o momento em que devemos pedir porque eles são Igreja, como também somos nós os leigos. Muitas vezes os leigos exigimos muito dos sacerdotes, mas somos incapazes de rezar por eles, de entender que são pessoas humanas, de compreender e avaliar a solidão que muitas vezes pode rodear um sacerdote.”
(do opúsculo “A Santa Missa – Testemunho de Catalina”, Missionária leiga do Coração Misericordioso de Jesus, Apostolado da Nova Evangelização, 2004, páginas 16 e 17, que pode ser obtido em: http://grandecruzada.leiame.net/ no separador “Os livros”)
Confesso que atendendo à sua proveniência (México, Brasil) fiquei de pé atrás, pois nós os europeus julgamo-nos muito mais esclarecidos na Fé que os povos do “novo” mundo, pensando que não estamos tão sujeitos às seitas; mas de quantos textos posso dizer que me deixaram alguma coisa no pensamento? Para além de que acreditar, ou não, que Nossa Senhora falou directamente à Irmã Catalina, em nada altera o fundamento da minha fé em Cristo.

Para terminar, deixo mais duas “Sugestões para participar melhor na Missa”, retiradas de um artigo (S.D.L.) do jornal paroquial “Ecos” (n.º 147 de 16 de Maio de 2004):
6) Se chegares antes da hora, poderás beneficiar duma preparação, especialmente no canto, que te ajudará a participar mais intensamente: as coisas boas costumam ter vésperas.
7) A missa dominical é uma celebração comunitária: não participes como se fosse um mero acto de piedade individual, mas une-te aos irmãos na oração, nos gestos, nas atitudes e no canto comuns. Não é preciso que toda a assembleia ouça a tua voz, basta que a ouça o teu vizinho – és membro de uma assembleia que louva a uma voz: que bela voz!...