27 de julho de 2012

Caritas in Veritate

A terceira Carta Encíclica do Papa Bento XVI, a "Caritas in Veritate - A Caridade na Verdade ", apesar da temática interessante e actualidade, sendo datada já de 29 de Junho de 2009, foi lida apenas recentemente.
"A caridade supera a justiça, porque amar é dar, oferecer ao outro do que é "meu"; mas nunca existe sem justiça, que induz a dar ao outro o que é "dele", o que lhe pertence em razão do seu ser e do seu agir. Não posso "dar" ao outro do que é meu, sem antes lhe ter dado aquilo que lhe compete por justiça. Quem ama os outros com caridade é, antes de mais, justo para com eles."
"A área económica não é nem eticamente neutra nem de natureza desumana e anti-social. Pertence à actividade do homem; e, precisamente porque humana, deve ser eticamente estruturada e institucionalizada."
"Todo o nosso conhecimento, mesmo o mais simples, é sempre um pequeno prodígio, porque nunca se explica completamente com os instrumentos materiais que utilizamos. Em cada verdade, há sempre mais do que nós mesmos teríamos esperado; no amor que recebemos, há sempre qualquer coisa que nos surpreende. Não deveremos cessar jamais de maravilhar-nos diante destes prodígios."

O Concerto

Já vi o filme há algum tempo, mas "O Concerto" de Radu Mihaileanu (2009) é uma bela comédia, partindo e acabando numa situação dramática, que procura juntar o virtuosismo dos instrumentistas da União Soviética (ex-URSS) com as vicissitudes do mundo ocidental! Não deixando de ser um filme de matriz francesa, com um realizador romeno, é uma co-produção de vários países europeus, em que os protagonistas são russos (Alexei Guskov, o maestro, e Dimitri Nazarov, o principal amigo) e franceses (com destaque para bela Melanie Laurent, a violinista e estrela). É a história de um famoso maestro da Orquestra Bolshoi que, na era comunista, é humilhado ao ser colocado como empregado de limpeza porque recusou separar-se dos seus músicos judeus. Desviando um fax da direcção, aproveita um convite para a orquestra tocar em Paris, com todas as dificuldades de reunir os antigos instrumentista da grande orquestra, que agora vivem de pequenos trabalhos, pelo que tem que mergulhar no universo de judeus e ciganos, traduzindo o filme sobretudo o seu deslumbramento ao aterrarem em Paris! As cenas de comédia sucedem-se, mas recordo a falsificação de alguns passaportes em pleno aeroporto, obrigando-os a desviar a atenção dos polícias, o que não sei se seria possível sem ser em filme, assim como reunir, praticamente sem ensaios, uma grande orquestra que não tocava junta há muitos anos, dado que uma parte dos instrumentistas andava a tratar da sua vida...

25 de julho de 2012

Museu de São Roque

O que gosto mais gosto nos museus e Igrejas com arte-sacra é tentar descobrir o título ou passagem dos evangelhos que retratam ou o santo a que dizem respeito, o que muitas vezes não consigo, embora depois de ver a solução (título) conclua que estava mesmo à frente do nariz!
O Museu de São Roque tem essa possibilidade, iniciando-se a visita pela evocação da Ermida de São Roque, erigida no local em 1506 após o rei D. Manuel I, no contexto de um surto de peste que assolou Lisboa em 1505, ter solicitado à República de Veneza uma relíquia de São Roque, pois o santo era conhecido pelos milagres em favor das populações que sofriam de peste.
Segue-se a evocação da Companhia de Jesus, que em virtude do apoio do rei D. João III chegou a Portugal em 1540, o ano da sua aprovação pelo Papa Paulo III, e que tomou posse da ermida. Em 1555 iniciaram-se obras de ampliação da ermida, que no entanto foram abandonadas para a construção de uma Igreja de raiz que foi aberta ao culto em 1573, apesar de inacabada, como Igreja e antiga Casa Professa de São Roque. Depois passa-se a uma área de arte oriental, atendendo ao papel dos missionários jesuítas, e a um núcleo dedicado à Capela de São João Baptista, cuja construção teve lugar em Roma, entre 1742 e 1747, pois foi transportada para Portugal em três naus, para mostrar o brilho e o requinte do reino, tendo D. João V,  à custa do ouro do Brasil, promovido muitas encomendas de obras de arte e grandes projectos arquitectónicos, e sido inaugurada em 1752, já no reinado de D. José I, e assente numa capela lateral da Igreja de São Roque. Cheia de peças de culto e ornamentais de grande valor, o objectivo era impressionar quem a visitava, mostrando um Estado que em nada ficava atrás das principais potências europeias da época, o que hoje nos causa alguma estranheza, ou talvez não!
A visita ao museu termina com um núcleo dedicado à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, iniciando-se a exposição com a sua mentora, a grande Rainha D. Leonor (mulher do rei D. João II, o Príncipe Perfeito), que a fundou em 1 5 de Agosto de 1498, e que esteve sediada primeiro numa capela do claustro da Sé e foi transferida em 1534, até ao terramoto de 1755, para a Igreja da Conceição Velha. Em 1759 a Companhia de Jesus foi expulsa do reino de Portugal, pelo que a Igreja e Casa de São Roque foram doadas à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), que desde 1768 tem aí a sua sede. PS: também marcou pontos uma escultura do Menino Jesus Caminhante!
Como o Museu de São Roque promove mensalmente a apresentação de uma peça do seu acervo, pude beneficiar de uma folha com algumas notas sobre o quadro/tábua "Nossa Senhora da Misericórdia" de Domingos Vieira Serrão, do final do século XVI, pintor régio de Filipe I de Portugal, que foi adquirida pela SCML em 1983. A representação do clero e da nobreza, ajoelhados e em atitude de prece, salta à vista na parte inferior, mas se não fosse o papel talvez me passasse despercebida o pedinte e a criança que, representados de costas, encaram a Virgem de frente, simbolizando a preferência mariana pelos humildes.
A visita só podia terminar na Igreja de São Roque, cheia de turistas, em que somos esmagados pela sua riqueza a grandiosidade e que os vigilantes quase que nos fazem esquecer que já não estamos num Museu, mas sim numa Igreja, mas, a apesar de passar despercebido a muitos turistas, o Santíssimo Sacramento está lá para nos lembrar o mais importante!

A delicadeza

"A delicadeza" é um filme francês de 2011 co-realizado por David e Stéphane Foenkinos, baseado numa novela do próprio David Foenkinos, uma comédia romântica com laivos de drama! Penso que pode ser considerado cinema de massas, pelo menos em França, ou não contasse com a Audrey Tautou no papel de Nathalie uma pessoa feliz até ao dia do trágico da morte do marido (os dois últimos filmes franceses de/em cinema que vi, o outro foi "Pequenas mentiras entre amigos", com entrada em 4 de Agosto de 2011, começam e centram-se em mortes trágicas em resultado de acidentes nas rua de Paris, sendo que este apela a não se usar phones no jogging!). A protagonista refugia-se no trabalho, até ao dia em que inconscientemente rouba um beijo a Markus (François Damiens), um empregado sueco, tímido e discreto, de que até é chefe, ela que até tinha sido vítima de assédio sexual do director-geral, que leva a embarcarem numa aventura sentimental que os colegas e amigos não compreendem, ou pelo menos acham estranha, pois está fora do cânone!
Apesar de grande parte do filme se passar no interior da empresa, e uma pequena parte, de fuga, no telhado, que tinha alguma ligação à Suécia, não consegui perceber qual era o seu negócio nem se o processo 114 ficou resolvido! Um pormenor, de que gostei, foi as maçanetas das salas mais importantes estarem no interior de uma cruz dourada, lembrei-me das belas camisolas da Nike da selecção portuguesa no último europeu de futebol, sendo que até estranhei ninguém se ter queixado dos jogadores envergarem uma CRUZ!    

20 de julho de 2012

As Catorze Obras de Misericórida

O livro "As Catorze Obras de Misericórdia" da Alêtheia Editores (2009), uma iniciativa da Santa Cada da Misericórdia do Porto, com o apoio da Universidade Católica Portuguesa, reúne pequenos textos (e ilustrações de docentes da UCP-Porto) de personalidades e professores universitários, para cada uma das 14 obras de misericórdia, tendo me me vindo parar às mãos, em boa hora, no âmbito de uma venda de livros "estragados" (muito ligeiramente!), ou pelo menos, manuseados, logo "para despachar!"... ao contrário das 14 obras!
Algumas palavras do Vice-Presidente da Santa Casa do Porto, António Manuel Lopes Tavares:
"Falamos de obras de misericórdia, espirituais e materiais, lidas à luz da moderna doutrina social da Igreja. Falamos, pois, de uma responsabilidade que não é só de conforto material, mas antes tem uma importante e singular componente de apoio espiritual.
As catorze obras de misericórdia em reflexão moderna representam essencialmente um apelo a que não deixemos morrer a esperança e a solidariedade dos que sofrem e afirmemos uma mensagem de profunda fé numa sociedade com valores e onde o primado do Homem é decisivo na nossa opção de futuro."

Obras de misericórdia corporais:
1. Dar de comer a quem tem fome;
2. Dar de beber a quem tem sede;
3. Vestir os nus;
4. Dar pousada aos peregrinos;
5. Visitar os enfermos;
6. Visitar os presos;
7. Enterrar os mortos.

Obras de misericórdia espirituais:
1. Dar bons conselhos;
2. Ensinar os ignorantes;
3. Corrigir com caridade os que erram;
4. Consolar os tristes;
5. Perdoar as injúrias;
6. Suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo;
7. Rezar a Deus por vivos e mortos. 

Pai-Nosso que estais na Terra

Depois d'"o Tesouro escondido - Para uma arte da procura interior", com entrada em 16 de Agosto de 2011, o livro seguinte de José Tolentino Mendonça (Paulinas Editora, 2011) o "Pai-nosso que estais na Terra - O Pai-nosso aberto a crentes e a não-crentes", cheio de pensamentos e pistas de reflexão!
Copio um pequeno extracto:
"A segunda não é propriamente uma história. É uma oração, uma das mais belas orações que eu conheço, e que foi encontrada entre os escassos pertences de um judeu, morto precisamente num campo de concentração. Diz o seguinte: «Senhor, quando vieres na tua glória, não te lembres somente dos homens de boa vontade; lembra-te também dos homens de má vontade. E, no dia do Julgamento, não te lembres apenas das crueldades e violências que eles praticaram: lembra-te também dos frutos que produzimos por causa daquilo que eles nos fizeram. Lembra-te da paciência, da coragem, da confraternização, da humildade, da grandeza de alma e da fidelidade que os nossos carrascos acabaram por despertar em cada um de nós. Permite então, Senhor, que os frutos em nós despertados possam servir também para salvar esses homens.»"


O Céu existe mesmo

Confesso que os bestsellers não me puxam, mas "O Céu existe mesmo - A história real do menino que esteve no Céu e trouxe de lá uma mensagem" de Todd Burpo (pastor em Imperial, no Nebraska, e Pai do Colton, o protagonista) e Lynnn Vincente (edição da "lua de papel" em 2011, sendo o original de 2010) veio-me parar às mãos de oferta! Para mais, tendo vendido 2 milhões de exemplares em seis meses nos Estado Unidos da América e 90 mil em Portugal em 2011!
Apesar da profundidade do tema é uma leitura agradável e leve (cerca de 150 páginas), apesar de não me trazer nenhuma novidade profunda, pois o Céu existe mesmo... embora por vezes eu faça muito pouco para o merecer!!!